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    Pandemia de COVID-19 no mundo no início de dezembro (93)
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    Sem elas, a recuperação econômica do país será mais lenta e sem crescimento sustentável. Governo também precisa melhorar o ambiente de negócios para retomar o capital externo.

    A crise econômica provocada pela pandemia da COVID-19 vai derrubar os investimentos estrangeiros diretos (IED) ao fim de 2020 em, no mínimo, 45% na América Latina e no Caribe. Para o Brasil, país mais beneficiado com este dinheiro, o caminho para driblar o problema em 2021 passa por uma série de medidas, mas, principalmente, pelas reformas tributária e administrativa.

    Essa é a opinião de Josilmar Cordenonssi, economista e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), de São Paulo, em entrevista para a Sputnik Brasil.

    Diante deste quadro, apresentado em um relatório da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe, a CEPAL, a insistência por reformas vale a pena.

    "Elas são, sem dúvida, a melhor forma de atrair investimentos estrangeiros diretos para evitar o que chamamos de 'voo de galinha', ou seja, crescer e parar de crescer repetidamente. Elas nos levarão, junto a outras decisões, a ter uma trajetória de crescimentos sustentável, como os países asiáticos e, lá na frente, proporcionar melhor qualidade de vida", disse o economista.

    A referência à Ásia se explica porque o capital estrangeiro fugiu para nações que responderam melhor à crise provocada pelo novo coronavírus.

    Para Cordenonssi, são países que não gastam mais do que arrecadam e que têm mais capacidade de crescimento sustentável, como o Japão, por exemplo. 

    "Temos questões estruturais complicadas como poupança interna baixa, que gera uma capacidade de investimento interno baixo também. O investidor internacional tende a ver isso com preocupação e acaba optando por economias com melhor reação à crise atual", explicou.

    No âmbito mundial, segundo o relatório da CEPAL, os valores de investimento estrangeiro direto cairiam de 45% a 55% % em 2020 e vão cair de 5% a 10% em 2021, o que representaria o menor valor desde 2005.

    E a América Latina e o Caribe são as regiões mais afetadas. Em 2019, a área recebeu US$ 160,72 bilhões de investimento estrangeiro direto (R$ 824 bilhões), queda de 7,8% em relação a 2018. O agravamento veio com a COVID-19 e a consequente redução na entrada desses fluxos

    "Em 2020, os recursos não vieram, as multinacionais enviaram dinheiro para fora por causa das incertezas do quadro brasileiro e optaram por ter melhor liquidez em países menos arriscados. O choque foi muito grande e, para retomar o caminho, o governo tem que criar um ambiente de negócios propício que trate o capital estrangeiro como o nacional", disse o professor.

    Isso até poderia ser feito sem reformas, argumenta Cordenonssi, mas a recuperação seria muito mais lenta e não sustentável. Especialmente em um país de enorme endividamento público que ao fim de 2020 deve ter o mesmo do valor do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 7,4 trilhões.

    "Se tivéssemos demanda externa forte e um quadro interno menos complicado que o atual, se poderia pensar em um crescimento sem as reformas. Mas não temos. Por isso devemos perseverar nelas, além de não furar o teto do orçamento e manter a taxa de juros baixa. Com elas, teremos condições de manter o endividamento público em patamar sustentável e uma realidade muito melhor para retomar os investimentos estrangeiros diretos", concluiu o economista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Pandemia de COVID-19 no mundo no início de dezembro (93)

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    Tags:
    COVID-19, Ásia, Universidade Mackenzie, Brasil, Caribe, América Latina, IED, Cepal, PIB
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