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    Brasil combatendo coronavírus no fim de novembro (45)
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    Nesta segunda (23), a Fiocruz disse que 130 milhões de brasileiros podem receber vacina de Oxford em 2021, e que a campanha de imunização está prevista para iniciar em março. É possível considerar que este cenário significa que o fim da pandemia no Brasil está próximo?

    Segundo Guilherme Werneck, médico epidemiologista e professor do Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a resposta é não.

    "Precisamos ter cautela, porque as vacinas não podem ser consideradas como um único elemento, ou como se diz, uma bala de prata, para o término dessa pandemia", afirma o especialista, sobre as 130 milhões de vacinas que serão disponibilizadas pela Fiocruz.

    Werneck explica o motivo para a cautela. Segundo ele, além da vacina, outros vários elementos também precisam ser levados em conta quando se fala em combate a uma pandemia. 

    "Algumas dessas vacinas, como a vacina da Pfizer e da Moderna, por exemplo, têm limitações em termos de distribuição, em função dos aspectos relacionados à cadeia de frio. Além disso, algumas dessas vacinas não foram inicialmente compradas pelo Brasil, então não estarão disponíveis rapidamente", diz o especialista.

    Outro elemento ressaltado pelo epidemiologista é a efetividade das vacinas. Werneck explica que quando os imunizantes saem dos estudos e vão para a prática, ou seja, para as campanhas de imunização, a eficácia pode não ser a mesma que foi alcançada durante as pesquisas em laboratório.

    "As vacinas têm a eficácia influenciada por uma série de mecanismos e questões operacionais. Ou seja, a vacina tem uma eficácia, mas na prática ela pode ter mais dificuldade de corresponder aos estudos", afirma Werneck.
    Um homem caminha ao lado de um grafite retratando um limpador em equipamento de proteção espalhando vírus com o rosto do presidente Jair Bolsonaro, em meio ao surto da doença coronavírus (COVID-19), no Rio de Janeiro, Brasil, 7 de outubro de 2020
    © REUTERS / RICARDO MORAES
    Um homem caminha ao lado de um grafite retratando um limpador em equipamento de proteção espalhando vírus com o rosto do presidente Jair Bolsonaro, em meio ao surto da doença coronavírus (COVID-19), no Rio de Janeiro, Brasil, 7 de outubro de 2020

    Brasil deve lidar com COVID-19 até 2022

    Em contraponto às boas notícias sobre as eficácias das vacinas nas últimas semanas, o Brasil viu os números da pandemia subirem novamente. A taxa de transmissão é a mais alta desde maio, os números de casos e óbitos voltaram a subir em muitas cidades, e há duvidas sobre se o país está preparado para uma segunda onda de COVID-19.

    Sobre este cenário, Werneck avalia que o Brasil está atravessando atualmente um momento "muito crítico", já que passa por reversão das quedas nos números, que aconteciam desde julho.

    "É importantíssimo que as pessoas reconheçam que o risco está aumentando, e é preciso as pessoas se conscientizarem para manter o distanciamento e as precauções. [...] A situação não está simples e não teremos em tão curto prazo assim uma solução vacinal que possa interromper esse crescimento que estamos observando nesse momento", diz Werneck.

    Além de reforçar a necessidade das medidas de prevenção, Werneck destaca que, mesmo se as previsões se confirmarem e a vacinação tiver início em 2021, isso não significa que a vacina estará disponível para todos nos próximos meses. Antes, é preciso definir quem terá prioridade em receber as primeiras doses. Werneck defende que, além de médicos e pessoas com comorbidade, como idosos e obesos, os indígenas também deveriam figurar na lista de prioridades, uma vez que vêm "sendo acometidos de forma brutal pela COVID-19". 

    Independente de quem serão os primeiros a serem imunizados, ainda teremos meses de combate à COVID-19 pela frente, na opinião do especialista.

    "Ainda em 2021 e possivelmente até em 2022 vamos ainda lidar com a COVID-19 e precisamos estar atentos, com sistemas de vigilância preparados, sistemas hospitalares para a atenção e prevenção do novo coronavirus", afirma Werneck.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    entrevista, pandemia, Brasil, novo coronavírus, COVID-19
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