22:44 11 Agosto 2020
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    Situação com coronavírus no Brasil no fim de junho (51)
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    O número de incêndios na Floresta Amazônica subiu 20% em junho, atingindo a maior alta para o mês em 13 anos, mostraram dados do governo nesta quarta-feira (1º), enquanto os pesquisadores temem que isso possa sinalizar uma repetição do aumento dos incêndios florestais no ano passado.

    Especialistas em saúde também temem que a fumaça que frequentemente cobre a região durante a estação seca, causando problemas respiratórios, possa causar complicações para os pacientes com COVID-19.

    Em junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectou 2.248 incêndios na Floresta Amazônica, ante 1.880 em junho de 2019. Ainda assim, as queimadas empalidecem quando comparadas com o aumento de incêndios ocorrido em agosto passado, o que provocou protestos globais de que o Brasil não estava fazendo o suficiente para proteger a maior floresta tropical do mundo.

    Em junho de 2020, a média foi de aproximadamente 75 incêndios por dia na Amazônia, em comparação com uma média de quase um mil incêndios por dia, quando os incêndios atingiram o pico em agosto de 2019.

    "É um sinal ruim, mas o que realmente vai contar é o que acontece a partir de agora", disse à Agência Reuters Philip Fearnside, ecologista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

    Um indicador mais preocupante é o aumento do desmatamento, declarou ele, porque geralmente são acionados incêndios para limpar a terra depois que as árvores são cortadas.

    O desmatamento aumentou 34% nos primeiros cinco meses do ano, em relação a um ano atrás, mostram dados preliminares do INPE.

    Velório do líder índigena Messias Martins Moreira, da etnia Kokama, em Manaus, Amazonas, no dia 14 de maio de 2020.
    © AP Photo / Edmar Barros
    Velório do líder índigena Messias Martins Moreira, da etnia Kokama, em Manaus, Amazonas, no dia 14 de maio de 2020.

    Fearnside explicou que a aplicação ambiental mais fraca sob o presidente Jair Bolsonaro é responsável pela crescente destruição. Bolsonaro pediu mais agricultura e mineração em áreas protegidas da Amazônia, enquanto defende o país por ainda preservar a maioria da floresta tropical.

    Agravamento com a COVID-19

    Bolsonaro destacou as Forças Armadas para proteger a Amazônia em maio, como fez em agosto do ano passado. Apesar dessa iniciativa, o desmatamento aumentou 12% em maio em relação ao ano anterior e aumentou em junho.

    O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), uma organização não governamental brasileira, prevê que, no atual ritmo de desmatamento, haverá cerca de nove mil quilômetros quadrados da Amazônia até o final de julho que foram derrubados, mas que não foram queimados desde o início de 2019, quando Bolsonaro assumiu o cargo.

    As áreas em risco de serem incendiadas se comparam aos 5.539 quilômetros quadrados desmatados e queimados de janeiro de 2019 a abril de 2020, informou o IPAM em sua análise no início deste mês. Enquanto isso, as comunidades da Amazônia estão se preparando para a fumaça que varre a região durante a temporada de incêndios, que geralmente ocorre entre agosto e novembro.

    Guilherme Pivoto, um infectologista do Amazonas, afirmou que o agravamento da qualidade do ar dos incêndios pode exacerbar os danos aos que sofrem da COVID-19.

    "Aqueles que estejam [com o novo coronavírus] têm maior chance de interação entre a poluição e a COVID-19, gerando casos prolongados com mais sintomas", alertou Pivoto à agência Reuters.
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    seca, novo coronavírus, COVID-19, Ministério do Meio Ambiente, meio ambiente, destruição, fogo, queimadas, desmatamento, Floresta Amazônica, Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), Amazônia, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Jair Bolsonaro, Brasil
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