15:52 02 Julho 2020
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    A mãe do menino Miguel, que morreu ao cair do nono andar de um prédio no Recife, criticou o comportamento de sua então patroa: "Ela não teve a coragem de segurar a mão do meu filho e tirar ele ali de dentro". 

    Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas cinco anos, filho da empregada doméstica Mirtes Regina Santana de Souza, morreu na última terça-feira (2) após ser deixado sob os cuidados de Sarí Corte Real. 

    A empregadora de Mirtes deixou o menino sozinho no elevador para a criança ir encontrar sua mãe, que se encontrava na rua passeando com o cachorro dos patrões. Ao invés de descer do quinto andar para o térreo, Miguel acabou parando no nono andar do prédio, e caiu de uma área destinada a peças de ar-condicionado, de uma altura de 35 metros. 

    "Ela não deu resposta [sobre por que deixou a criança no elevador]. Só disse que ia provar que não apertou o botão [de andar acima]. Ela pode provar o que for, mas ela deixou. As imagens são claras, ela deixou o meu filho lá e esperou a porta fechar. Ela não teve a coragem de segurar a mão do meu filho e tirar ele ali de dentro. Se fosse um filho dela, eu teria tirado. Uma criança inocente e que não tinha noção de perigo. A única coisa que ele queria era a mim, a mãe dele. Ela não teve um pingo de paciência", disse a doméstica em entrevista para o programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo. 

    Mirtes contou ainda que a patroa chegou a ir ao velório da criança e que as duas se abraçaram. Durante o enterro, a doméstica não sabia que Sarí tinha deixado Miguel sozinho no elevador, como mostrou um vídeo das câmeras de segurança do edifício. 

    'A gente não sabia o que tinha acontecido'

    "Quando enterrei o meu filho, eu ainda não tinha visto o vídeo e nem sabia. A gente não sabia o que tinha acontecido. Quando recebi o vídeo e vi, aquilo me bateu uma raiva e uma angústia, e liguei para ela para saber o que aconteceu, porque ela não tinha ligado para mim. Quando indaguei ela por que ela apertou o botão da cobertura, por que deixou meu filho ali, ela só respondeu: 'Eu não apertei o botão da cobertura. Vou provar para você'. Só ficou dizendo que não apertou. Ela pode provar o que for, mas ela deixou o meu filho no elevador", questionou Mirtes. 

    Apesar da epidemia da COVID-19, Mirtes continuou trabalhando na casa da patroa. No dia da tragédia, a doméstica tinha levado o filho para casa da empregadora. A mãe do menino recebeu ordens para descer e passear com o cachorro dos patrões, mas pediu para deixar o filho no apartamento.

    Segundo a polícia, enquanto Mirtes estava na parte de baixo do prédio, a criança quis encontrá-la. A patroa, que estava com uma manicure que fazia as unhas dela, deixou o menino entrar sozinho no elevador para procurar a mãe. 

    Mulher do prefeito do município pernambucano de Tamandaré, Sarí Corte Real foi presa em flagrante logo após a morte de Miguel, e liberada após pagar fiança de R$ 20 mil. 

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    Tags:
    crime, racismo, trabalho informal, COVID-19, novo coronavírus, epidemia, morte, recife, Pernambuco
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