02:41 30 Maio 2020
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    Brasil luta com pandemia em meados de maio (78)
    9735
    Nos siga no

    Com menos de um mês no cargo, o ministro da Saúde do Brasil, Nelson Teich, pediu exoneração nesta sexta-feira (15).

    Escolhido para substituir o então chefe da pasta, Luiz Henrique Mandetta, que ganhou popularidade por conta dos embates com o presidente Jair Bolsonaro sobre a melhor forma de encarar o surto do novo coronavírus, Teich, oncologista e consultor em saúde, assumiu o ministério sob forte desconfiança de parte da população, que acreditava que ele poderia se submeter mais facilmente aos apelos do chefe de Estado para reabrir as atividades econômicas apesar das recomendações de restrição defendidas pela grande maioria dos especialistas. 

    ​Em seus primeiros discursos como membro do governo, o ministro não deixou clara sua posição sobre o principal ponto de tensão entre seu antecessor e o presidente, se limitando a defender a produção de mais estudos para conhecer melhor a COVID-19 e suas implicações. No entanto, ao longo de seus 28 dias na chefia da Saúde, acabou optando por resistir à pressão presidencial pela derrubada do isolamento social no país, avaliando que o distanciamento era necessário para conter a disseminação do coronavírus

    Recentemente, o desgaste dessa relação atingiu um novo patamar por conta do uso da cloroquina, medicação amplamente defendida por Bolsonaro como grande arma no combate à pandemia, mas sem respaldo científico e, por isso, não apoiada abertamente pelo ministro. 

    Na última quinta-feira (14), em reunião com empresários, segundo a Folha, o presidente cobrou mais uma vez uma recomendação do Ministério da Saúde para uso da substância em pacientes em fase inicial de contaminação pelo vírus, mudando, portanto, o atual protocolo, que permite a utilização da mesma em casos críticos. Tal discordância, de acordo com fontes próximas, teria deixado a situação insustentável. 

    ​Em nota, o Ministério da Saúde informou que Nelson Teich pediu demissão na manhã desta sexta-feira (15) e que o assunto será tratado em coletiva de imprensa nesta tarde. A pasta será comandada, provisoriamente, pelo secretário-executivo Eduardo Pazuello.

    Enquanto o governo se concentra na condução de uma nova crise política em meio à pandemia, os números de vítimas da COVID-19 seguem aumentando significativamente no Brasil, com todos os estados apresentando tendência de piora. Atualmente, o país contabiliza 202.918 casos de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, com 13.993 óbitos confirmados.

    Tema:
    Brasil luta com pandemia em meados de maio (78)

    Mais:

    Em 1ª entrevista, Teich anuncia general como secretário-executivo do Ministério da Saúde (VÍDEO)
    Canadá emite alerta sobre uso de cloroquina como tratamento para coronavírus
    Avaliação negativa de governo Bolsonaro sobe 12,4 pontos e população apoia isolamento, diz pesquisa
    Quando isolamento social vira batalha política: panorama de cidades brasileiras sob lockdown
    Tags:
    Brasília, novo coronavírus, COVID-19, quarentena, isolamento, substância, medicação, remédio, doença, saúde, Ministério da Saúde, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar