10:03 19 Setembro 2020
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    Sputnik Brasil conversou com cientistas políticos sobre a possibilidade de Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta formarem uma chapa para concorrer à presidência em 2022. Os especialistas avaliaram o capital político dos dois ex-ministros de Bolsonaro e apontaram tanto os seus pontos fortes, como os fracos.

    Com a notoriedade em alta, especialmente após suas rumorosas saídas do governo Jair Bolsonaro, os nomes do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, começam a ser cogitados como componentes de uma possível chapa presidencial para as eleições de 2022.

    Para o cientista político e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, Emir Sader, ainda é muito cedo para antecipar o rumo das eleições de 2022, em função da alta volatilidade da política atual.

    "Para se ter uma ideia da rapidez com que acontecem as coisas, o Mandeta, que foi protagonista importante do cenário político, por ter sido ministro da Saúde, por ter defendido posições antagônicas daquelas de Bolsonaro, desapareceu. Ninguém mais fala dele", disse Sader à Sputnik Brasil.

    De todo modo, no caso de uma eventual aliança entre os recentes desafetos do atual chefe de Estado, o acadêmico considera o ex-juiz como um candidato mais forte.

    "Claro que Moro tem muita mais importância. Ele personificou a Lava Jato, ele foi ao governo como uma espécie de garantia de que Bolsonaro lutaria contra corrupção", afirmou o especialista, destacando que mesmo o ex-magistrado tem perdido a atenção da imprensa e do público.

    Sader destacou que Sergio Moro prometeu fazer acusações que "acabou não fazendo", não apresentou provas e, inclusive, declarou que o presidente não teria incorrido em crime de responsabilidade. De todo modo, o acadêmico considera que o ex-ministro ainda possui capital político.

    "O provável é que exista uma tentativa de Bolsonaro de se reeleger, se ele continuar como presidente da República [...] e certamente haverá uma candidatura do PT - Lula, ou quem Lula indicar - e haveria espaço para alguém como Moro. Mas ainda é muito cedo para pensar esse cenário".

    Sader acredita, no entanto, que a principal ameaça ao bolsonarismo ainda seria representada por um candidato do PT.

    "Os dois [Mandetta e Moro] se repetiriam. Quem votasse em um votaria em outro. Não seria uma boa aliança para eles, pois não ampliaria o marco de apoio", explicou.

    O cientista político, professor da Universidade Veiga de Almeida, Guilherme Carvalhido, concorda com seu colega. Ele acrescentou que Mandetta já é um ator no cenário político, tendo atuado como deputado, e que, provavelmente, tentará se candidatar em uma chapa interna para o governo do seu estado, Mato Grosso do Sul. Moro, por outro lado tem uma presença nacional mais forte, em função da Lava Jato.

    "Ele tem força nacional, porque é muito bem avaliado e foi muito bem requisitado por parte da opinião pública com relação à Lava Jato, tendo sido um pouco enfraquecido na relação com Bolsonaro", disse Carvalhido à Sputnik Brasil.

    Para ele, Moro, ao deixar do governo, saiu dos holofotes da mídia e vai depender de articulação política futura pois, mesmo no governo, perdeu visibilidade "à sombra de Bolsonaro".

    "E é exatamente esse o problema com Bolsonaro. Ele vai dividir o mesmo eleitorado do presidente Bolsonaro, que já é candidato à reeleição, e isso trará, provavelmente, uma divisão interna, o que incomoda muito Bolsonaro", acrescentou o professor.

    Ele acredita que Moro precisa se formar como político, pois ainda agiria como magistrado. Mesmo assim, no cenário nacional, seu peso é superior ao do ex-ministro da Saúde.

    "Não tenho a menor dúvida de que a figura de Moro é mais forte do que a de Mandetta, justamente em função do processo da Lava Jato, que vem desde 2014, e sobretudo com sua intensa participação na condenação de alguns políticos", explicou o entrevistado.

    "Costura política precisa ser feita, e se Moro pretende se candidatar ele precisa começar essa costura. Ele tem imagem forte, mas sem alianças políticas vai enfrentar dificuldades no processo eleitoral", concluiu Carvalhido.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    análise, Brasil, Sergio Moro
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