00:10 14 Agosto 2020
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    Brasil luta com pandemia em meados de maio (78)
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    A invasão humana nos habitats dos animais, que é uma provável culpada pela pandemia do coronavírus, está aumentando por causa do desmatamento desenfreado, opina o ecologista brasileiro David Lapola.

    De acordo com pesquisadores, a urbanização de áreas outrora selvagens contribui para o surgimento de doenças zoonóticas (enfermidades que passam de animais para humanos), incluindo o novo coronavírus, que cientistas acreditam ter se originado em morcegos antes de passar para humanos na província de Hubei, em rápida urbanização na China, provavelmente por meio de uma terceira espécie.

    "A Amazônia é um enorme reservatório de vírus. É melhor não tentarmos a sorte", disse Lapola à AFP, alegando que esses mesmos processos estão em jogo na maior floresta tropical do mundo, cujo desaparecendo está ocorrendo em ritmo alarmante.

    Segundo dados baseados em imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de janeiro a abril foram destruídos 1.202 quilômetros quadrados, estabelecendo um novo recorde para os primeiros quatro meses do ano.

    Desmatamento desenfreado

    Só em 2019, o desmatamento na Amazônia brasileira subiu 85%, para mais de 10.000 quilômetros quadrados, o que equivale a uma área quase do tamanho do território do Líbano.

    "Quando você cria um desequilíbrio ecológico [...] é quando um vírus pode surgir" de animais para humanos, disse o cientista, que trabalha na Universidade de Campinas.

    Índio yanomami acompanha agente do Ibama em operação contra a mineração ilegal no setor de Roraima da Amazônia
    © REUTERS / Bruno Kelly / File Photo
    Índio yanomami acompanha agente do Ibama em operação contra a mineração ilegal no setor de Roraima da Amazônia

    Lapola opina que padrões semelhantes podem ser observados no HIV, Ebola e dengue e que "todos os vírus surgiram ou se espalharam em grande escala por causa de desequilíbrios ecológicos".

    Embora a maioria desses surtos concentrou-se no sul da Ásia e na África, a imensa biodiversidade da Amazônia pode tornar a região "o maior reservatório de coronavírus do mundo", comentou o pesquisador, referindo-se aos coronavírus em geral, e não apenas ao que está por trás da atual pandemia.

    "Essa é mais uma razão para não usar a Amazônia irracionalmente, como estamos fazendo agora", caso contrário, o mundo enfrentará mais surtos, "um processo muito complexo e difícil de prever", concluiu.

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    Tags:
    COVID-19, INPE, vírus, novo coronavírus, desmatamento, Brasil, Floresta Amazônica
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