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    Brasil combatendo coronavírus no fim de abril (64)
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    O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), respondeu nesta quarta-feira (29) às críticas feitas mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro. O tucano convidou o ex-deputado a visitar o estado e sair "da sua bolha" e do "seu mundinho de ódio".

    A reação de Doria, um dos principais antagonistas de Bolsonaro na atual conjectura política nacional, se deu após o presidente criticar governadores em Brasília pela manhã. Questionado sobre a sua polêmica frase "e daí" após o recorde de mortes pela COVID-19 no país, o presidente partiu ao ataque.

    "Não vão botar no meu colo uma conta que não é minha", declarou. "A imprensa tem que perguntar para o [João] Doria por que mais pessoas estão perdendo a vida em São Paulo [...]. O Supremo [Tribunal Federal] decidiu que quem decide essas questões [sobre restrição] são governadores e prefeitos".

    Para rebater Bolsonaro, Doria afirmou que o presidente deveria ter tomado atitudes que se recusou a realizar.

    "Meus sentimentos aos familiares de 5.017 brasileiros que perderam a vida pelo coronavírus em todo o país. Quero dizer ao presidente, o mesmo presidente que ontem [terça-feira] respondeu: 'Quer que faça o que?'. Eu posso enumerar atitudes que o senhor deveria ter tomado e não adotou. É fazer aquilo que o senhor não fez", afirmou.

    O governador paulista prosseguiu afirmando que Bolsonaro deveria "respeitar os brasileiros que o elegeram e os que não o elegeram", aqueles que "perderam entes queridos" para uma doença que "o senhor classificou como uma gripezinha, que não era grave".

    "Convido o senhor, venha a São Paulo. Saia de Brasília e venha visitar o Hospital das Clínicas, os hospitais de campanha. Venha ver as pessoas agonizando nos leitos e a preocupação dos profissionais de saúde de São Paulo. E se não quiser visitar São Paulo, por medo ou qualquer outra razão, vá ver o colapso da saúde em Manaus. Veja a realidade do seu país", desafiou.

    O tucano ainda pediu que Bolsonaro "saia da sua bolha, do seu mundinho de ódio" e que seja solidário com a realidade brasileira. E ainda alfinetou o presidente, que costuma chamar os filhos Flávio, Eduardo, Carlos e Jair Renan, por numerais.

    Governador de SP João Doria ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília
    © AP Photo / Eraldo Peres
    Governador de SP João Doria ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília

    "Por fim, o senhor que gosta de tratar tudo como números e acha que a vida é um número, eu como governador, mas como ser humano, não acho que vida é número. Nem meus filhos são tratados por número. Meus filhos são tratados por nome, com carinho e afeto. Trabalho para salvar vidas. A vida é sentimento e espero que o senhor possa resgatar o seu para ter um olhar de compaixão pelo seu país e pelos brasileiros", completou.

    Doria ainda pediu respeito aos profissionais de saúde e pediu que Bolsonaro "pare com essa política da perversidade". "E agora, presidente? Diante de mais de 5 mil mortos, o senhor continua afirmando que é uma gripezinha?", finalizou o governador.

    Na noite de terça-feira (28), o presidente foi questionado sobre o número recorde de mortes pela COVID-19 em um único dia no país, o que fez o país ultrapassar a China – epicentro inicial da pandemia – no número total de mortos. Bolsonaro assim resumiu a situação.

    "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", disse.

    Segundo dados do Ministério da Saúde mostraram nesta terça-feira que o país tem 5.017 mortes – 474 em 24 horas. Entre os estados, São Paulo é o mais afetado, com 2.049 óbitos confirmados.

    Ao longo da crise, Bolsonaro sempre defendeu uma flexibilização do distanciamento social em prol da economia, enquanto Doria e a maioria dos prefeitos e governadores defendem as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS): a de manutenção do isolamento e reforço nas condições de testagem e atendimento hospitalar.

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    Tags:
    OMS, saúde, política, novo coronavírus, COVID-19, João Doria, Jair Bolsonaro, Manaus, Amazonas, São Paulo, Brasil
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