13:33 04 Abril 2020
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    Fazendas de soja, milho e algodão transformaram o Brasil no principal mercado de pesticidas altamente perigosos, disse o projeto de jornalismo do Greenpeace no Reino Unido, Unearthed, em comunicado à imprensa nesta quinta-feira, citando os resultados de uma investigação conjunta com uma ONG suíça.

    A investigação foi conduzida após a visita de dezembro do relator especial da ONU, Baskut Tuncak, ao Brasil, quando ele criticou o governo do país da América Latina por desencadear "uma onda catastrófica de pesticidas tóxicos, desmatamento e mineração que envenenarão gerações".

    O funcionário da ONU também alertou sobre as altas chances de uma "epidemia de envenenamentos por pesticidas".

    "As vastas plantações brasileiras de soja, milho e algodão o transformaram no mercado mais importante do mundo para pesticidas altamente perigosos, segundo uma investigação conjunta da Unearthed e da ONG suíça Public Eye", afirmou o comunicado à imprensa.

    De acordo com a Unearthed, a análise detalhada dos dados referentes a mais de US$ 20 bilhões em vendas de agroquímicos em 2018 estabeleceu que o Brasil, considerado lar de 20% da biodiversidade restante do mundo, era o principal consumidor de pesticidas altamente perigosos para a saúde e para o meio ambiente.

    "Quase dois terços desses gastos brasileiros com pesticidas altamente perigosos (HHP) foram para as vastas fazendas de soja do país, cultivadas para atender à demanda global de ração animal para galinhas, porcos, vacas e peixes", acrescentou a ONG.

    Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro introduziu várias medidas para aliviar o já fraco controle de pesticidas do país, o que contribuiu para a rápida expansão do cultivo de soja com o uso de agrotóxicos.

    Nesse contexto, o candidato ao Prêmio Nobel e o líder indígena brasileiro de renome mundial Raoni Metuktire, no início de fevereiro, pediu ao governo do Reino Unido que introduzisse regras comerciais estritas sobre as importações de soja para alimentação animal. Em particular, de acordo com um documento informativo, ele pedia regras comerciais mais rígidas sobre pesticidas na soja da região amazônica.

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    Tags:
    ONU, agrotóxicos, pesticidas, veneno, agronegócio, agricultura, movimento indígena, povos indígenas, indígenas, índios, Greenpeace, algodão, milho, soja, Jair Bolsonaro, Reino Unido, Brasil
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