22:09 27 Janeiro 2020
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    O presidente Jair Bolsonaro atacou nessa sexta-feira (3) o educador Paulo Freire, a quem chamou de "lixo", e disse que os livros didáticos do país passarão a ter, a partir de 2021, a bandeira e o hino nacional.

    "Os pais vão vibrar", afirmou ele na porta do Palácio da Alvorada, segundo publicado pelo jornal O Globo. 

    Bolsonaro lamentou o fato dos livros didáticos que serão usados em 2020 terem sido escritos sob outra gestão. Para o presidente, as obras têm muita "coisa escrita" e é preciso "suavizar". Ele ainda prometeu que o material impresso para o ano que vem terá o hino e a bandeira nacional. 

    "Tem livros que vamos ser obrigados a distribuir esse ano ainda levando-se em conta a sua feitura em anos anteriores. Tem que seguir a lei. Em 21, todos os livros serão nossos. Feitos por nós. Os pais vão vibrar. Vai estar lá a bandeira do Brasil na capa, vai ter lá o hino nacional. Os livros hoje em dia, como regra, é um amontoado... Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo", disse o chefe de Estado.

    'Esse sistema educacional lixo que está aí'

    Além disso, Bolsonaro voltou a criticar Paulo Freire, um dos educadores mais respeitados do mundo, a quem atribuiu as notas baixas obtidas pelo Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Ele também questionou o ensino nas universidades e no colégio federal Pedro II, considerado uma referência no Rio de Janeiro. 

    "Falando em suavizar, estou vendo um cabeça branca ali, estudei na cartilha Caminho Suave. Você não esquece. Não esse lixo que, como regra, está aí. Essa ideologia de Paulo Freire. O cara ficou 10 anos e a garotada de 15 anos foi fazer a prova do Pisa e mais da metade não sabe fazer uma regra de três simples", afirmou. 

    A cartilha Caminho Suave, cuja primeira edição é de 1948, é um método de alfabetização baseado em imagens, que foi retirada do catálogo pelo Ministério da Educação. 

    "Eu tenho que buscar meios para tirar 12, 13 milhões do desemprego no Brasil, diminuir a pobreza. Com certeza acertar esse sistema educacional lixo que está aí, baseado no Paulo Freire", acrescentou, segundo citado pelo site Metropoles. 

    'Menino de saia, MST lá dentro'

    Sobre o Pedro II, Bolsonaro disse que governos de esquerda "acabaram" com a escola, que aceita "menino de saia, MST lá dentro". A instituição tem 14 unidades no Rio, Duque de Caxias e Niterói. 

    O presidente criticou o fato da direção do Pedro II permitir, desde 2016, que os alunos, independentemente do gênero, usem saia ou bermuda.

    "O que a esquerda plantou na educação? Plantou militância. Tanto é que o pessoal vota no PT e no PSOL. A molecada [vota no] PT e PSOL. Chegou ao cúmulo de acabar com uma escola como o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Acabaram com o Pedro II. Menino de saia, MST lá dentro. E outras coisas mais que não quero falar aqui", lamentou Bolsonaro. 

    Universitário não 'sabe nada'

    O político também afirmou que os estudantes das universidades brasileiras não "sabem nada". 

    "Ninguém sabe nada. Até, com todo respeito, muitos universitários acabam como bons militantes, nada além disso. Não sabem interpretar um artigo da Constituição, quem dirá a Constituição como um todo. Esse é um problema que a gente tem pela frente. Tem que lutar, correr atrás", disse ele. 

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    Tags:
    Programa Internacional de Avaliação (PISA), Jair Bolsonaro, estudantes, Palácio da Alvorada, escolas, universidades, livros, Ministério da Educação, ensino, educação, Brasil
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