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    Gado é visto perto de árvores queimadas na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 10 de setembro de 2019

    'Estamos muito perto de um momento de colapso', alerta agrônomo sobre incêndios na Amazônia

    © REUTERS / Amanda Perobelli
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    Incêndios florestais que varreram a Bolívia e o Brasil este ano podem interromper a distribuição de chuvas nas regiões produtoras de grãos e carne da América do Sul de maneiras imprevisíveis nos próximos anos, alertaram um cientista e um meteorologista.

    As chuvas recentes em ambos os países ajudaram a apagar os incêndios, que provavelmente foram iniciados por agricultores e pecuaristas usando métodos agrícolas de corte e queima.

    No entanto, eles destruíram grandes áreas de floresta que se prendem à precipitação na região, ameaçando um sistema de nuvens conhecido como "rios aéreos" na Amazônia que distribui 23 bilhões de metros cúbicos de água na América do Sul por ano, disse Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), à agência Reuters.

    Isso pode significar menos chuva em locais que produzem carne e soja, não apenas no Brasil e na Bolívia, mas também na Argentina, Paraguai e Uruguai, prosseguiu Melgarejo, potencialmente batendo em um fator-chave do crescimento econômico regional.

    "As fronteiras que dividem nossos países são ficções do ponto de vista da natureza", comentou Melgarejo. A destruição de apenas 5% a mais da Floresta Amazônica desencadeará um ciclo de agravamento da seca, incêndios e desmatamento, acrescentou.

    "Estamos muito perto de um momento de colapso", ponderou o engenheiro, presente em uma reunião de cientistas em Santa Cruz, Bolívia, uma região de planície atingida pelos incêndios deste ano.

    Impacto nos pampas

    Germán Heinzenknecht, especialista em clima com a consultoria de Climatologia Aplicada na Argentina, declarou que áreas do cinturão agrícola dos Pampas, incluindo as províncias de Córdoba e Santiago del Estero, podem estar vulneráveis às consequências dos incêndios.

    Rastreamento por satélite mostra aumento das queimadas na Amazônia
    Antonio Scorza/AFP
    Rastreamento por satélite mostra aumento das queimadas na Amazônia

    "É muito possível que partes do norte da Argentina sejam afetadas por um atraso no início da estação chuvosa ou que as chuvas sejam totalmente inferiores ao normal. Tudo depende da área afetada pelos incêndios na Bolívia e no Brasil", afirmou Heinzenknecht.

    Os agricultores já estavam preocupados com a secura nas áreas agrícolas da Argentina antes dos incêndios. O país é um grande exportador de soja, milho e trigo e é o principal fornecedor de farelo de soja para ração animal.

    O presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o boliviano Evo Morales, opostos ideológicos, foram criticados por apoiar uma expansão da produção de soja e carne bovina em regiões florestais que ambientalistas culpam pela erupção de incêndios deste ano. Ambos subestimaram os impactos em meio aos protestos.

    Os incêndios na Bolívia atingiram mais de 5 milhões de hectares, pelo menos um recorde de duas décadas, segundo o grupo ambiental boliviano Fundação Amigos da Natureza.

    Morales tentará ser reeleito em 20 de outubro, mas pesquisas recentes mostram que ele pode não ter apoio suficiente para evitar o segundo turno pela primeira vez na história.

    Na semana passada, o Parlamento do Paraguai aprovou uma resolução instando o presidente Mario Abdo a pedir à Bolívia uma indenização por danos causados à flora e fauna do Paraguai que, de acordo com os legisladores, teriam começado em solo boliviano.

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    Tags:
    Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Evo Morales, Jair Bolsonaro, chuvas, pecuária, agricultura, agronegócio, fogo, incêndio, incêndio florestal, Floresta Amazônica, Amazônia, Argentina, Bolívia, Brasil
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