13:04 19 Novembro 2019
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    Índio com cocar durante a Semana dos Povos Indígenas no Pará (arquivo)

    Missionário alerta para risco de genocídio no Médio Xingu

    Thiago Gomes / Fotos Públicas
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    Representantes de povos da etnia Assurini acusaram agentes da mineração ilegal de invadir terras indígenas no estado do Pará, ameaçando a população local. Uma equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) foi deslocada para apurar as denúncias, e o seu secretário executivo compartilhou algumas informações do caso com a Sputnik Brasil.

    De acordo com as denúncias, ao menos cinco invasores teriam sido capturados após entrar sem permissão nas terras de Ituna/Itata e Koatinemo, localizadas na região do Médio Xingu, circundada pela hidrelétrica Belo Monte. Com o avanço da mineração ilegal e dos interesses de fazendeiros e madeireiros, os Assurini temem um possível extermínio dos povos isolados naquela área. 

    Cléber Buzatto, secretário executivo do Cimi, afirma que os relatos recebidos dos indígenas dão conta de uma grande onda de invasão em seus territórios, acarretando a morte generalizada de indivíduos pertencentes a grupos isolados.

    "São várias outras situações que dão conta de uma espécie de novas… de uma estratégia, de fato consumada, de uma nova fase de esbulho possessório, de roubo de terra indígena mesmo, por parte de não índios nessas regiões, que colocam em grave risco as populações, os povos, enfim, que vivem nesses territórios", disse ele em entrevista à Sputnik, destacando também ameaças feitas a lideranças indígenas.

    Buzatto acredita que a postura do atual governo brasileiro em relação aos indígenas também teria uma parcela de responsabilidade pelas crescentes investidas de mineradores e fazendeiros contra os índios. Esses exploradores teriam sido estimulados, por exemplo, pelas falas do presidente Jair Bolsonaro a favor do fim das demarcações de terra e da integração dos povos originários à sociedade, os quais ele chegou a comparar com animais em um zoológico.

    "Agora, com essa onda, digamos assim, do governo eleito, que tem feito discursos muito atentatórios contra os povos indígenas, os discursos também têm servido como um combustível, por parte desses grupos não indígenas, que têm usado isso para fomentar a invasão e as ameaças à vida dos povos nessas regiões."

    Segundo o missionário, a situação dos indígenas nessas áreas mencionadas é extremamente perigosa hoje, uma vez que esses invasores mencionados estariam "dispostos a tudo para efetivar o interesse deles de tomar as terras dos índios".

    "Especialmente nessas regiões onde tem presença de povos isolados, o risco é muito grande, tanto de um encontro e um massacre físico contra os isolados como também da possibilidade de esses indígenas serem acometidos por doenças contra as quais eles não têm proteção natural", explicou Buzatto. "Então, o risco de mortandade, de genocídio, é bastante tremendo."

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    Tags:
    mortandade, genocídio, invasão, mortes, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cléber Buzatto, Koatinemo, Itata, Ituna, Xingu, Pará, Brasil
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