03:02 10 Dezembro 2018
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    Petrobras bate recorde de produção em 2016

    Futuro presidente da Petrobras já defendeu privatização da empresa em artigo

    Vitoria Velez/AFP
    Brasil
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    O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) escolheu nesta segunda-feira (19) um economista formado na Universidade de Chicago, que já defendeu a privatização da Petrobras, para dirigir a companhia.

    A nomeação de Roberto Castello Branco é a mais recente de uma série de escolhas por economistas treinados em Chicago por Bolsonaro.

    O novo presidente da estatal já defendeu a privatização da Petrobras, a maior empresa do Brasil em capitalização de mercado e empregadora de 60 mil pessoas.

    Ele compartilha seus laços com a Universidade de Chicago com o influente ministro da economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, e com Joaquim Levy, que foi escolhido para liderar o poderoso banco de desenvolvimento estatal BNDES.

    O departamento de economia de Chicago é conhecido pela economia ortodoxa, particularmente na América Latina, e grande parte da elite de negócios do Brasil está entusiasmada com a perspectiva de nomeados vinculados a Chicago em altos cargos na administração pública.

    "Ele já defendeu publicamente uma menor intervenção do governo… até privatizar partes da Petrobras", disse James Gulbrandsen, diretor de investimento da América Latina na NCH Capital. "Basicamente, o departamento de economia da Universidade de Chicago está assumindo a economia brasileira."

    Castello Branco, membro do conselho da Petrobras até 2016, também ocupou cargos executivos no Banco Central do Brasil e na mineradora Vale.

    Ele substituirá Ivan Monteiro, que permanecerá como CEO da companhia de petróleo até que Castello Branco seja oficialmente nomeado por Bolsonaro, disse Guedes.

    Em texto publicado durante a greve dos caminhoneiros na Folha de S.Paulo, Castello Branco escreveu a favor da privatização da Petrobras, um forte indício de que ele avançará agressivamente com os ambiciosos planos de desinvestimento da empresa.

    "Esperamos que o processo de desalavancagem e o programa de desinvestimento da Petrobras continuem sob o mandato de Castello Branco", escreveram Vicente Falanga e Oscar Camilo, analistas do Banco Bradesco, em nota aos clientes.

    Novos rumos?

    O novo presidente da estatal assumirá o comando em meio a um debate dentro da equipe de Bolsonaro sobre a direção que a companhia deve tomar.

    Guedes já defendeu uma privatização completa da empresa, enquanto os generais militares em torno de Bolsonaro se opõem a essa ideia. O próprio Bolsonaro disse que prefere manter a empresa nas mãos do estado, mas está aberto à privatização de certos ativos.

    A Petrobras, que tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento de uma bonança de petróleo com o pré-sal, é uma fonte de orgulho nacional para muitos brasileiros.

    No entanto, seu papel central na Operação Lava Jato, considerada por muitos como a maior investigação de corrupção do mundo, prejudicou sua imagem pública e seus resultados nos últimos anos.

    A dívida bruta da Petrobras hoje é de US$ 88 bilhões.

    A nomeação de Castello Branco segue a linha adotada com a escolha de Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central. Campos estudou na Universidade da Califórnia e era executivo sênior no Banco Santander.

    A equipe de Bolsonaro falou pela primeira vez com Castello Branco sobre seu interesse no cargo em outubro, pouco depois de Bolsonaro ter vencido a eleição presidencial, disseram à Reuters fontes com conhecimento do assunto.

    Traders disseram que a indicação de um CEO favorável ao mercado na Petrobras era amplamente esperada. Alguns disseram que teriam visto a manutenção do atual presidente como uma medida favorável também.

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    Tags:
    Petrobras, Roberto Castello Branco, Paulo Guedes, Jair Bolsonaro, Brasil
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