16:58 16 Novembro 2018
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    Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT), durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

    Haddad sobre Bolsonaro: ‘Não fez nada a vida inteira, é obrigado a atacar com calúnias'

    © Sputnik / Solon Neto
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    O candidato à Presidência, Fernando Haddad (PT), esteve nesta sexta-feira (19) no Rio de Janeiro e participou de um debate no Clube de Engenharia. Logo após foi às ruas do centro da cidade, onde e discursou em meio aos militantes do partido ao lado de Marcelo Freixo (PSOL).

    Durante o evento no Clube de Engenharia, Haddad subiu o tom contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro (PSL), reafirmando que tem sofrido ataques à sua honra e que o projeto de desenvolvimento do Brasil foi interrompido por um golpe. Ele se referiu a Bolsonaro como "despreparado e omisso", criticou a ausência do candidato em debates e comentou as denúncias de abuso de poder econômico que podem envolver a campanha do candidato do PSL em um esquema massivo de divulgação de notícias contra o PT dentro do WhatsApp.

    "Como ele não fez nada a vida inteira, ele é obrigado a atacar com calúnias", disse Fernando Haddad sobre Jair Bolsonaro.

    Haddad criticou Bolsonaro por criar uma imagem próxima ao regime militar, com o qual, afirmou, ele compartilha apenas a violência.

    Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, participa de debate no Clube de Engenharia no Rio de Janeiro ao lado de cientistas e engenheiros.
    © Sputnik / Solon Neto
    Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, participa de debate no Clube de Engenharia no Rio de Janeiro ao lado de cientistas e engenheiros.

    "A única herança que ele [Bolsonaro] tem do regime militar é a truculência com quem pensa diferente", disse. Ele também afirmou que Bolsonaro é entreguista e que mesmo os militares tinham traços liberalizantes, os quais o candidato do PSL, segundo Haddad, abre mão.

    O ex-prefeito de São Paulo também criticou o fato de Bolsonaro não estar indo a debates e o acusou de não discutir ideias. Ele afirmou que Bolsonaro tem "um projeto covarde que não se apresenta" e que capitão reformado do Exército seria um presidente "despreparado e omisso".

    "Ele simplesmente não se apresenta, não é possível para ele se comprometer com questões tão objetivas quanto essas", afirmou, em referência aos compromissos que assumiu durante o evento em torno do "resgate da soberania nacional e da soberania popular", propostas de cientistas e engenheiros presentes.

    "Estamos desconstituindo direitos a ponto de esse processo de desconstrução remontar aos anos 1950", disse Haddad sobre as propostas de Bolsonaro e as reformas aplicadas pelo presidente Michel Temer.

    Denúncia de caixa 2 de Bolsonaro e "Justiça analógica"

    O candidato Fernando Haddad não deixou de comentar as denúncias sobre um possível esquema de abuso de poder econômico envolvendo a campanha de Jair Bolsonaro (PSL). A denúncia foi publicada na quinta-feira (18) pelo jornal Folha de São Paulo e movimentou a campanha e o noticiário nacional.

    Jair Bolsonaro (dir.) e Fernando Haddad (esq.) durante votação no primeiro turno
    © REUTERS / Ricardo Moraes/Paulo Whitaker
    Haddad lembrou que a jornalista Patrícia Campos Mello, que fez a denúncia, está sofrendo ataques na internet. Ele ironizou a reação da campanha de Bolsonaro e afirmou que: "meu adversário não convive bem com jornalismo livre. E nós nem temos jornalismo livre", disse.

    O ex-ministro da Educação falou novamente da necessidade de uma mídia plural, afirmando que o Brasil é refém da opinião de poucas famílias donas dos principais meios de comunicação.

    Aproveitando o gancho, ele criticou a cobertura feita pelo Jornal Nacional das denúncias da Folha de São Paulo, afirmando que o principal telejornal da Rede Globo o teria feito parecer o autor das denúncias.

    Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, durante coletiva de imprensa no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro. À mesa, da esquerda para a direita, estão o senador Lindbergh Farias (PT), a deputada federal benedita da Silva (PT) e a também deputada federal Jandira Feghali (PCdoB).
    © Sputnik / Solon Neto
    Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, durante coletiva de imprensa no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro. À mesa, da esquerda para a direita, estão o senador Lindbergh Farias (PT), a deputada federal benedita da Silva (PT) e a também deputada federal Jandira Feghali (PCdoB).

    Haddad também afirmou que a Justiça precisa mudar a abordagem para acompanhar a velocidade de questões virtuais como as denunciadas.

    "A Justiça é analógica para lidar com problemas virtuais. Uma ação ilegal assim pode impedir a trajetória de reversão dos votos. Se tomarem providências podem diminuir o desequilíbrio", disse Haddad.

    O candidato do PT à Presidência também falou sobre a ausência de Bolsonaro nos debates presidenciais de segundo turno. Ele rebateu um jornalista que comparou a situação atual com eleições passadas e lembrou que essa seria a primeira vez que um candidato falta a todos os debates do segundo turno.

    Fernando Haddad reafirmou que se dispõe a debater com Bolsonaro, inclusive em uma enfermaria, e disse que o candidato já foi liberado pelos médicos que acompanham o deputado federal desde seu esfaqueamento durante ato de campanha no dia 6.

    "Para a Bandeirantes, Record, SBT e Globo, fica aqui esta proposição: abre o microfone para quem for, e quem não for fica com a cadeira vazia", afirmou o petista.

    Soberania Nacional e política de educação foram exigidas

    Além de Haddad, falaram também o presidente do clube, Pedro Celestino da Silva Pereira Filho, e também o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, que apresentaram demandas ao candidato por mais investimentos na Ciência e pela garantia da soberania nacional.

    Sentaram-se à mesa com Fernando Haddad, além de sua esposa, Ana Estela Haddad, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Felipe Coutinho, o reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Reinaldo Centoducatte, o vice-presidente do Clube de Engenharia, Sebastião Soares, além do reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Jefferson Azevedo.

    Benedita da Silva (à direita), Fernando Haddad (centro) e Jandira Feghali (à esquerda), posam para foto após coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.
    © Sputnik / Solon Neto
    Benedita da Silva (à direita), Fernando Haddad (centro) e Jandira Feghali (à esquerda), posam para foto após coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

    Reinaldo alertou o público e o candidato de que sua Universidade estaria com apenas 20% do orçamento que tinha em 2014.

    Já Jefferson Azevedo afirmou: "Me parece que hoje as pessoas não reconhecem o poder transformador da educação pública neste país".

    Felipe Coutinho usou sua fala para defender o desenvolvimento do país com soberania. "Não abrimos mao do compromisso com a verdade e do desenvolvimento soberano do Brasil", disse.

    Estavam também no palco as deputadas federais Jandira Feghali e Benedita da Silva. Entre os presentes, estavam o ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Roberto Leher.

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    Tags:
    eleições 2018, WhatsApp, Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Clube de Engenharia, PT, PSL, Lindbergh Farias, Benedita da Silva, Jandira Feghali, Jair Bolsonaro, Fernando Haddad, Rio de Janeiro
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