13:54 23 Outubro 2018
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    Bandeiras dos países membros da Unasul

    Sem nomeação de secretário-geral, Brasil pode deixar Unasul em definitivo, diz fonte

    Agência de Notícias ANDES
    Brasil
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    O Brasil, juntamente com Chile, Peru, Argentina, Paraguai e Colômbia, planeja abandonar definitivamente a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se a organização não normalizar sua situação interna e nomear um secretário-geral, cargo está vago há mais de um ano, disse um alto funcionário do Ministério de Relações Exteriores do Brasil à Sputnik.

    "A Unasul não está funcionando desde janeiro do ano passado pelo veto à candidatura da Venezuela ao embaixador argentino José Octavio Bordón para secretário-geral […] não há alternativa […] A Unasul está acéfala", afirmou uma fonte do Itamaraty.

    Os ministros de Relações Exteriores dos seis países estão preparando uma carta a ser apresentada ao governo da Bolívia, que assumiu nesta semana a presidência rotativa da Unasul, acrescentou a fonte.

    A carta explica que o sexteto de países vai parar de participar das atividades da Unasul até que essa questão seja normalizada, mas que se não houver progresso a saída poderá ser a solução final.

    "A Unasul custa muito caro e não está funcionando, e não funciona por causa de uma decisão venezuelana", criticou a fonte diplomática brasileira.

    O ambiente de trabalho na organização é muito difícil e os funcionários da Unasul, com sede em Quito, estão passando por situações de tensão, revelou o diplomata.

    O último secretário-geral da Unasul foi o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, que serviu de 2014 a 31 de janeiro de 2017.

    Mais cedo nesta sexta-feira, fontes diplomáticas de Paraguai, Colômbia e Argentina confirmaram à Sputnik que os seis países decidiram suspender suas atividades dentro da Unasul e citaram a vaga de secretário-geral como um dos problemas centrais. No entanto, nenhum deles mencionou a posição da Venezuela como causa das dificuldades.

    Uma outra fonte da Unasul reconheceu ao Sputnik que os seis países anunciaram que suspenderiam sua participação nas próximas sessões, mas não que se retirariam do bloco.

    "Nós não recebemos um comunicado oficial até agora que estes seis países já não fazem parte da Unasul. Podemos confirmar é que expressaram sua decisão de não participar na próxima sessão até à nomeação de um novo secretário-geral", declarou a fonte da Unasul que solicitou anonimato, em uma conversa telefônica de Quito.

    A Unasul aprovou o seu tratado de fundação em 2008, depois de um processo iniciado quatro anos antes, e decidiu que sua sede permanente seria a capital do Equador. O tratado de fundação entrou em vigor em 2011.

    Todos os países da América do Sul são membros da Unasul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

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    Tags:
    política, crise, bloco continental, diplomacia, Itamaraty, Unasul, Ernesto Samper, José Octavio Bordón, América do Sul, Venezuela, Brasil
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