07:00 23 Agosto 2017
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    Janot está por trás do confronto entre Temer e Joesley Batista, diz ex-ministro da Justiça

    Lula Marques/ Agência PT
    Brasil
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    A relação entre Michel Temer (PMDB) e o empresário Joesley Batista já viveu dias melhores. Após o escândalo aberto pela delação da JBS, os dois seguem trocando acusações. O mais novo capítulo agora é a decisão de Temer de processar Joesley por "mentiras em série".

    Para o ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, o procurador-geral da República Rodrigo Janot está por trás do confronto entre Temer e Joesley. Na avaliação de Aragão, Temer é um alvo para o procurador-geral.

    "Isto [o confronto entre Temer e Joesley] está parecendo que é o 'grand finale' da gestão de Rodrigo Janot", disse o ex-ministro da Justiça em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

    O atual procurador-geral da República deixará o cargo em 17 de setembro.

    Depois ter sido atacado por Temer após a divulgação da delação da JBS, Joesley Batista disse em entrevista à revista Época que o presidente é "o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil". O núcleo duro do Palácio do Planalto também foi criticado.

    Temer não demorou a reagir e afirmou que irá processar o empresário na esfera civil e criminal, por suas "mentiras em série". Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Joesley é classificado como "o bandido notório de maior sucesso na história brasileira".

    Eugênio Aragão avalia que a delação da JBS foi um movimento "calculadíssimo" de Janot.

    "Agora virão as denúncias, devidamente dosadas, uma atrás da outra, porque não se pode gastar toda a munição de uma vez só. Da mesma forma como ele sempre agiu em relação aos vazamentos [divulgação de informações judiciais sigilosas para a imprensa]. Nunca foi tudo de uma vez só. Quando as pessoas começam a respirar, vem outro escândalo, outra bomba".

    O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que recentemente acusou a Procuradoria-Geral da República de vazar conteúdos de investigações, também foi alvo de críticas de Aragão. Para o ex-ministro, Mendes é "amoral, às vezes até imoral".

    "A indignação do ministro Gilmar Mendes, como sempre, é seletiva, porque o ministro na época em que vazaram indevidamente as conversas de Dona Marisa, Lula, Dilma, ele achou que tudo se justificava. Agora ele está incomodado porque as investigações estão chegando perto de seu público, que é Michel Temer, Moreira Franco."

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    Tags:
    Procuradoria Geral da República (PGR), JBS, Eugênio Aragão, Joesley Batista, Michel Temer, Rodrigo Janot
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