02:12 20 Novembro 2019
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    Portos é uma das áreas que pode ser beneficiada pela parceria

    Um Negócio da China, em breve, no Brasil

    Ivand Bueno/APPA/Fotos Públicas
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    Independentemente da crise política, os chineses continuam investindo pesado no Brasil e se preparam agora para constituir um fundo de investimento de US$ 20 bilhões, gerido com o país, para financiar projetos de infraestrutura e logística, em especial, portos, ferrovias e rodovias.

    Para o diretor do Centro Brasileiro de infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, a notícia é alvissareira, mas requer alguma prudência por parte do governo, para que projetos vitais não fiquem excessivamente dependentes do capital chinês. O Conselho Gestor deste fundo terá seis membros, três de cada país, sendo que do lado chinês um ficará com o China Development Bank, o equivalente ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De início, 75% dos recursos (US$ 15 bilhões) caberão à China e os 25% restantes ao Tesouro Nacional.

    Na mira estão grandes projetos que assegurem o escoamento de commodities importantes para o mercado chinês, como soja e minério-de-ferro, como no Porto de Itaqui, no Maranhão. O apetite é grande. Basta lembrar que a China já desbancou os Estados Unidos como o maior investidor de longo prazo no Brasil.

    O diretor do Cbie lembra que os EUA, quando eram o grande investidor do Brasil, o grande investidor não era o Estado americano, eram as empresas privadas. 

    "Agora você está tendo o grande investidor China com suas empresas estatais. A lógica é diferente: uma empresa privada tem como principal estratégia ganhar dinheiro, ter uma taxa de retorno o mais alta possível para remunerar seus acionistas. A estratégia de uma empresa estatal, ainda mais de um país que é um regime fechado, como é a China, é gerar emprego, vender equipamentos, ter acesso a matérias-primas. A China investir no Brasil é muito bom, porque o país está precisando de investidor em infraestrutura, gerar empego, precisando que o país volte a crescer", diz Pires.

    O diretor do Cbie admite, no entanto, que o apetite chinês assusta um pouco, pois há o risco de a economia ficar excessivamente dependente da China. "Dinheiro não tem cor e não tem pátria, mas tem que tomar cuidado."

    Pires lembra a polêmica recente, acontecida na Argentina, quando o governo da então presidente Cristina Kircher baixou um decreto proibindo a venda de terras agricultáveis a estrangeiros, pessoas físicas ou jurídicas. No segundo mandato do presidente Lula, as sondagens de grupos chineses neste sentido também não lograram êxito. Na África, a China tem investimentos pesados em infraestrutura em diversos países como no Quênia e em outros países da Ásia, como o Sri Lanka e no próprio Nepal. No Brasil, com a bancada ruralista formando boa parte da base de apoio do governo Temer, há pressões no sentido que essa comercialização seja permitida.  

    "Tem que tomar cuidado em que setores eles estão investindo, se nesses setores eles já têm uma proeminência muito forte. Não é causar problema ou afastar o investidor chinês. Há que se tomar cuidado porque está se jogando com a estratégia do país. A State Grid já é a 'maior empresa privada' de linhas de transmissão no Brasil em termos de investimento. No ano passado, eles compraram duas grandes usinas em São Paulo: a Ilha Solteira, pela Three Gorges, e ouvi falar que estão tentando comprar a Usina de Santo Antônio, da Odebrecht, lá no Norte, e compraram também a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), segunda maior distribuidora de energia elétrica brasileira", exemplifica Pires. 

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    Tags:
    commodities, logística, infraestrutura, parceria, investimento estrangeiro, China Three Gorges, State Grid, China Development Bank, Centro Brasileiro de Infrestrutura, Lula, Cristina Kirchner, Adriano Pires, China, Brasil
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