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Brasil vai manter interesse nos Brics, mas China é a queridinha do momento

© Beto Barata/ PRMichel Temer durante encontro com o presidente da República popular da China, Xi Jinping
Michel Temer durante encontro com o presidente da República popular da China, Xi Jinping - Sputnik Brasil
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Depois das sinalizações do novo governo brasileiro em priorizar relações comerciais com Estados Unidos, Europa e países asiáticos, em detrimento à importância que vinha sendo dada até agora nas relações no Mercosul, na América Latina e com a África, muitos analistas questionam qual será o futuro do Brasil no relacionamento com os Brics.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul já avançaram em pontos importantes, segundo os especialistas, como no discurso afinado em relação à geopolítica, a constituição de um banco próprio para servir como opção de financiamento de projetos de infraestrutura àqueles concedidos e monitorados pelo Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e nas discussões para criar um padrão de comércio que prescinda do dólar ou da libra como referência.

A Cúpula do G-20, encerrada nesta segunda-feira, na China, mostra, porém, que o foco do Brasil, assim como de outros países, mesmo a vizinha Argentina, tem sido procurar firmar parcerias com os chineses, não só do ponto de vista da balança comercial, como da atração de investimentos, em especial aqueles voltados a projetos de infraestrutura.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Creomar de Souza, o grande interesse pelos chineses, dentro dos países integrantes do Brics, é facilmente explicável.

"Primeiro é a capacidade de escala dos chineses. Todo tipo de negócio que é feito com a China é promovido a uma escala tão alta que é uma espécie de solução fácil para os problemas. Se você fecha alguns contratos com os chineses, isso rapidamente entra na casa do bilhão de dólares."

Indagado sobre as causas por que o Brasil também não procura ampliar a agenda de negócios com outros países, como Rússia, Índia e África do Sul, Souza observa que as configurações econômicas desses países são um pouco distintas. 

"A economia indiana, por exemplo, é voltada para determinados tipos de serviços, bens e alta tecnologia incluída, enquanto os chineses precisam de tudo. Há uma enorme demanda por matérias primas, o que aumenta a competitividade de Brasil e Argentina nesses mercados. Há também o enorme interesse em expandir atividade industriais em seus grupos, sem contar que há um dirigismo do governo em termos de atividade econômica que facilita esse tipo de diálogo."

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Na avaliação do especialista, os gargalos de logística e infraestrutura no Brasil são conhecidos por todo o mundo, e isso se torna não só uma dificuldade, mas uma oportunidade no sentido de ocupar espaços privilegiados de atuação. Segundo Souza, há uma grande possibilidade de novos investimentos e os chineses têm interesse nessa dinâmica. 

Com relação à polêmica da permissão de compra de terras agrícolas por parte de estrangeiros e em especial dos chineses, tudo vai depender de dois fatores na visão do professor.

"O primeiro a necessidade do governo brasileiro de conseguir dinheiro para financiar uma série de projetos e o segundo, o interesse efetivo do governo em colocar esse tipo de assunto na mesa de negociação. Veremos um processo mais acelerado de privatizações e de uma série de ativos públicos e talvez as terras entrem nesse cálculo. Tudo vai depender do interesse dos chineses em traduzir essa demanda e do governo brasileiro em considerar isso uma necessidade."

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