22:56 18 Agosto 2017
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    Protestos SP

    Movimentos sociais começam a mudar estratégia de protestos contra o governo

    Rovena Rosa/Agência Brasil
    Brasil
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    As manifestações ocorridas na quinta-feira, 22, em 17 capitais e no Distrito Federal, no Dia Nacional de Protestos e Paralisações, que levaram às ruas milhares de pessoas contra as medidas anunciadas pelo governo, devem ter uma nova forma daqui para frente.

    A Sputnik Brasil ouviu com exclusividade Juliano Medeiros, integrante da executiva nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), para quem, em um primeiro momento, o PSOL, partidos de esquerda e movimentos sociais organizados na Frente Povo sem Medo e na Frente Brasil Popular privilegiaram a denúncia do golpe, do processo de impeachment e o caráter conservador do projeto de Temer. Segundo ele, começa agora uma segunda fase da luta contra o governo que é a de preparar a resistência popular contra as medidas. 

    "O Temer virou presidente porque precisava fazer determinados ajustes dentro de um determinado tempo e isso não era possível nas condições de instabilidade política. Vai se iniciar agora uma sequência de medidas muito duras. A reforma da Previdência é uma e que tem as melhores condições de construir uma ampla unidade dos movimentos sindical e social contra o governo. Tem uma pressão do empresariado para uma reforma trabalhista, e essa é uma das razões pelas quais o golpe foi efetivado."

    Medeiros diz que nesta segunda fase a estratégia é lutar contra medidas concretas. 

    "Não é mais denúncia política do golpe, dizer que o governo é ilegítimo. Vamos precisar desatar uma grande mobilização nacional e buscar um nível grande de unidade, deixar as diferenças de táticas para construir uma frente única contra a retirada de direitos." 

    Medeiros dá como exemplo da reforma do ensino médio. O PSOL participa da União Nacional dos Estudantes (UNE) em oposição ao PCdoB, que é majoritário na entidade. O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) não participa mais da UNE e criou uma entidade própria. 

    "Nesse ponto específico, vai ter unidade de todo o mundo, do PCdoB ao PSTU. Não há como pensar uma articulação de resistência que não seja uma ampla unidade de todos contra essa reforma do ensino médio que responde a interesses privados, de dinâmica de mercado."

    O integrante da coordenação nacional do PSOL lembra que a oposição à proposta de reforma da Previdência une a CUT, a Conlutas, a Intersindical, e mesmo as centrais sindicais ligadas aos partidos que são da base do governo Temer, como a Força Sindical, enfrenta hoje pressões em sua base. 

    Medeiros prevê que os movimentos de rua tendem a mudar sua natureza, e vão deixar de ser manifestações espontâneas da juventude e de setores mais desorganizados politicamente. 

    "Vai passar a ser uma dinâmica onde as entidades mais tradicionais terão uma certa predominância sobre a  liderança política de resistência ao governo. Você pode ter manifestações que possam ser numericamente menores, mas mais efetivas. É um pouco cedo para dizer que os protestos vão diminuir com o passar do tempo."

    O convite feito pelo presidente Michel Temer a empresários e investidores na última quarta-feira em Nova York, durante a assembleia da ONU, para que invistam no Brasil, também recebeu críticas de alguns setores no Brasil. Na ocasião, Temer deu como garantias a segurança jurídica oferecida hoje pelo país e o "momento de estabilidade política'.

    Para o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Via Campesina, Anderson Amaro, o governo "tenta convencer não somente a empresários mas a ele mesmo que há normalidade onde não há". Amaro diz que as manifestações dessa quinta-feira em várias capitais do país recebeu adesão também de vários setores privados, e a tendência é que esses movimentos cresçam na medida em que os trabalhadores percebam o que está e jogo. 

    "Temos um presidente que mente o tempo todo. Ele inicia a Assembleia mentindo (da ONU) e termina mentindo. Ele inicia mentindo sobre os refugiados no Brasil e termina mentindo sobre a normalidade política que não existe no Brasil. Ele mente para tentar garantir a continuidade de um governo que nasce ilegítimo e continuará ilegítimo por todo esse processo. Vice trata com vice. Barack Obama evitou falar com ele todo o momento."

    Amaro diz que as manifestações não vão diminuir com o passar do tempo e prevê que acontecerão mais dois grandes movimentos antes da greve geral que, embora ainda não definida por movimentos e centrais sindicais, deve ocorrer no início de novembro.

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    Tags:
    Centrais sindicais, movimentos sociais, direitos, trabalho, reforma da previdência, protestos, Conlutas, Intersindical, CUT, Frente Brasil sem Medo, Frente Brasil Popular, PSTU, PCdoB, UNE, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Via Campesina, PSOL, ONU, Anderson Amaro, Juliano Medeiros, Barack Obama, Michel Temer, Brasil
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