19:43 17 Outubro 2018
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    Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Cientista político: O Governo interino está a cada dia mais frágil

    Brasil
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    O cientista político Antônio Marcelo Jackson afirma que uma eventual prisão de parlamentares do alto clero do PMDB pedida pelo procurador-geral da República poderia tornar ainda mais vulnerável o Governo interino e afetar a decisão dos senadores que serão os juízes do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

    O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revelou que há uma semana pediu ao Supremo Tribunal Federal a prisão de quatro parlamentares: o presidente do Senado, Renan Calheiros, o senador e ex-presidente da República, José Sarney, o Senador Romero Jucá, presidente nacional do PMDB, e o Deputado Federal Eduardo Cunha. Os quatro políticos são do mesmo partido, o PMDB.

    Os senadores foram denunciados por Rodrigo Janot por tentativa de obstrução de Justiça, com base no que foi revelado a partir das gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com esses políticos. E Eduardo Cunha foi denunciado pelas tentativas de influenciar o julgamento pelos seus pares, no Conselho de Ética da Câmara, no processo de cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar ao negar na CPI da Petrobras que tivesse contas bancárias no exterior.

    Reunião da Comissão Especial do Impeachment no Senado
    Edilson Rodrigues/Agência Senado

    “São pessoas que estão diretamente envolvidas com o Governo, como Romero Jucá e Eduardo Cunha, que apesar de estar afastado é público e notório que ele continua exercendo uma grande influência”, afirma Antônio Marcelo Jackson, cientista político da UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto, ouvido por Sputnik Brasil.

    O Professor Jackson continua:

    “A grande questão é saber se esse combalido Governo interino – combalido porque desde que assumiu a cada semana vem uma denúncia nova, um problema novo – consegue criar mecanismos que possam administrar o país ainda que interinamente. Esse é o maior problema. Eu não vou nem discutir aqui se o Governo cumprirá os dois anos, se o processo de impeachment da presidente afastada vai acontecer de fato. O problema é que parece que o país deixou de ser administrado e confesso que é isso que me assusta mais.”

    Antônio Marcelo Jackson considera ainda que “a prisão dessas pessoas torna-se uma coisa temerária na medida em que são pessoas ligadas diretamente ao Governo interino”.

    “O que é mais assustador é imaginar que esse Governo que assumiu há pouco mais de três semanas esteja tão fragilizado num processo que está ocorrendo há muito mais de um ano. Ou seja, será que ninguém pensou em administrar o país nesse meio termo? Era apenas chegar ao poder e não havia projeto algum? Não havia nome algum com alguma idoneidade? O Governo interino a cada dia se torna mais frágil.”

    Sobre o fato de que os três senadores que tiveram a prisão pedida pelo procurador-geral da República são políticos de peso em seus partidos e no Congresso, e seu afastamento poderia influenciar o julgamento do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, o Professor Jackson diz que “não por eles necessariamente, mas por outros senadores que votaram a favor do processo e que já declararam publicamente que estão tendendo a mudar o voto”.

    Tags:
    pedido de prisão, corrupção, crise econômica, STF, PMDB, Sérgio Machado, Renan Calheiros, José Sarney, Eduardo Cunha, Romero Jucá, Antonio Marcelo Jackson, Michel Temer, Dilma Rousseff, Brasília, Brasil
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