22:11 17 Agosto 2019
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    Opinião: O Governo brasileiro tem motivos justos para recusar o embaixador de Israel

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    Persiste desde agosto o impasse diplomático criado entre Brasil e Israel. O Governo israelense aguarda que o Itamaraty anuncie a acreditação de Dani Dayan como novo embaixador no Brasil, mas uma ação indevida de Benjamin Netanyahu impediu o andamento normal do processo.

    Procuradas por Sputnik Brasil para se manifestarem sobre a questão, as entidades judaicas sediadas no Brasil preferiram se manter em silêncio.

    “O Governo de Israel já se convenceu de que o empresário Dani Dayan não receberá o agréement do Governo brasileiro e, por isso, vai destiná-lo a outra missão no exterior, provavelmente um consulado nos Estados Unidos”, diz Samuel Feldberg, da USP – Universidade de São Paulo e das Faculdades Rio Branco e destacado membro da comunidade judaica paulista.

    E o Embaixador Marcos de Azambuja afirma que o Governo israelense errou quando o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu informou em seu Twitter – sem comunicar ao Itamaraty – que Dani Dayan seria o novo embaixador no Brasil, em substituição a Reda Mansour, que deixou o cargo em dezembro. Mas, segundo Azambuja – que foi embaixador na França e na Argentina, coordenador da Rio-92 e chefe da delegação do Brasil para Assuntos de Desarmamento e Direitos Humanos em Genebra, entre outros postos – o impasse está próximo de ser resolvido, retomando-se a prática diplomática habitual.

    O Professor Samuel Feldberg disse estar certo de que o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu já desistiu dos planos de entregar a chefia da missão diplomática de Israel no Brasil. “Não há mais razão para esperar por uma acreditação que, certamente, não será concedida.” Feldberg também observa que a forma escolhida por Benjamin Netanyahu para anunciar Dani Dayan como possível embaixador no Brasil não foi considerada a mais adequada dentro da praxe diplomática, uma vez que ela foi feita através da conta pessoal do primeiro-ministro israelense no Twitter.

    “A reação do Itamaraty foi mais do que justificada”, comenta Marcos de Azambuja. “Primeiro, por essa não ser uma prática corrente na diplomacia mundial. A indicação e a acreditação de um novo embaixador são ações confidenciais, exigem o cumprimento de um sigilo, o que não aconteceu. O Governo brasileiro não está tomando uma posição pessoal contra Dayan – defensor, aliás, da política de assentamentos israelenses na Cisjordânia, posição contra a qual Brasília por mais de uma vez já mostrou sua discordância. Creio que a falta de um sinal verde do Itamaraty se deva à convicção do Governo brasileiro de que este não é um nome que possa contribuir para o aprimoramento das sólidas e profícuas relações que Brasil e Israel têm construído ao longo de décadas.”

    “Todos nós sabemos que há uma enorme polêmica em relação aos vínculos pessoais de Dani Dayan, o lugar em que ele mora na Cisjordânia ocupada, o fato de ele ter sido o presidente do organismo que representa os colonos na Cisjordânia”, considera Samuel Feldberg. “Todos esses elementos obviamente estão por trás de uma falta de simpatia do Governo brasileiro para que ele fosse recebido aqui como embaixador, mas tudo isso ficou num segundo plano, uma vez que as autoridades podiam utilizar aquele elemento de falta de aceitação dos protocolos normais das vias diplomáticas para recusar a nomeação do embaixador.”

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    Tags:
    relações internacionais, Itamaraty, Reda Mansour, Benjamin Netanyahu, Marcos de Azambuja, Samuel Feldberg, Dani Dayan, Israel, Brasil
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