02:23 22 Julho 2019
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    Presidente da Venezuela Nicolás Maduro com a presidente do Brasil Dilma Rousseff

    O fantasma do golpe na América Latina: Maduro denuncia ameaça ao governo Dilma

    © AFP 2019 / EVARISTO SA
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    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse em programa nacional de rádio que o Brasil está sob “ameaças de golpe de Estado nos próximos meses” e voltou a denunciar tentativas de desestabilização dos governos ditos de esquerda na América Latina.

    “Se se atrevem a se meter com o Brasil, o que será do resto?”, questionou, referindo-se aos interesses por trás da pauta do impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff.

    Citando também os governos de Evo Morales, na Bolívia, de Rafael Correa, no Equador, e o seu próprio governo na Venezuela, Maduro fez críticas aos EUA e disse que “os movimentos revolucionários e progressistas da América Latina” são alvo de ataques golpistas orquestrados por setores das oligarquia e da ultradireita. 

    Neste sentido, o líder venezuelano defendeu a legitimidade democrática de Dilma e disse ainda que o ex-presidente Lula “levou o Brasil ao melhor nível de desenvolvimento de sua história”.

    Não é a primeira vez que o governo venezuelano dispara denúncias contra supostos esquemas conspiratórios articulados pelos EUA e pelos partidos de direita na América Latina. No final de junho, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, acusou o partido de oposição venezuelano Primero Justicia de patrocinar a organização de protestos no Equador para desestabilizar e derrubar o governo de Correa. 

    Alguns dias antes, o presidente equatoriano apresentou centenas de vídeos gravados no interior de ônibus públicos de seu país para embasar a denúncia de que “reacionários venezuelanos” haviam sido infiltrados no Equador como parte de uma “conspiração em marcha com apoio internacional”, forjada pela oposição contra o seu governo, bem como contra o de Nicolás Maduro.

    Nas gravações, homens aparecem gritando contra o governo venezuelano e exortando os equatorianos a irem às ruas “para não se transformarem na Venezuela”.  

    Amanhã, quinta-feira (13), está prevista uma greve nacional convocada por organizações sindicais alinhadas à oposição de direita no Equador, segundo informou a rede TeleSUR. O Presidente Rafael Correa defendeu o direito às manifestações, mas advertiu que os organizadores do protesto carecem de legitimidade e têm interesses em desestabilizar o país para tentar um golpe de Estado.

    Ele afirma que a direita liderada por interesses internacionais conspira para “gerar medo e criar agitação social” no país, usando como desculpa os projetos governamentais de impostos sobre herança e rendimentos de capital, necessários para promover a igualdade e a distribuição de renda no Equador. No Twitter, Correa mandou um aviso aos golpistas:

    "Agora, essas elites arrogantes e pretensiosas, acostumadas a remover governos, pretendem voltar ao passado. Como é fácil destruir, quão difícil é construir! TOD@S reajamos e demonstremos nossa indignação e rejeição ao passado. Os cidadãos são aqueles que têm de proteger as estradas, as obras públicas, tudo o que foi conseguido. Trabalhemos com mais amor à Pátria na quinta-feira e digamos aos do passado, 'já basta!'. 'O passado, nunca mais!'. Este Equador, ninguém pode pará-lo. #EquadorNãoPara. Hasta la victoria siempre!"

    Quanto ao Brasil, Dilma se prepara para enfrentar no próximo domingo uma nova convocatória às ruas feita pelos movimentos de oposição contra o seu governo, muitos dos quais ainda defendem a ideia de impeachment, mesmo sem quaisquer evidências de conduta criminosa por parte da Presidenta, o que seria condição legal para a possibilidade de destituí-la do poder.

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    Tags:
    democracia, conspiração, imperialismo, esquerda, direita, golpe de Estado, golpe, impeachment, manifestações, protestos, Primero Justicia (PJ), PT, Diosdado Cabello, Lula, Rafael Correa, Evo Morales, Nicolas Maduro, Dilma Rousseff, EUA, América Latina, Bolívia, Equador, Venezuela, Brasil
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