17:32 06 Maio 2021
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    Analistas comentam as recentes movimentações do Japão, que indicam o interesse em se abrir mais para as nações amigas e a ajuda com as ilhas Andaman e Nicobar é o sinal mais recente dessa abordagem.

    A iniciativa da Índia, com uma pequena ajuda do Japão, de desenvolver uma cadeia de ilhas estrategicamente localizada perto da foz da principal rota de navegação do Sudeste Asiático é parte de um plano mais amplo de Nova Deli para manter uma vigilância mais próxima sobre os recursos navais da China, afirmam analistas e ex-oficiais indianos ouvidos pelo jornal South China Morning Post.

    As ilhas Andaman e Nicobar são formadas por 524 ilhotas, das quais apenas 38 são habitadas, e se estende por cerca de mil quilômetros no oceano Índico pela entrada ocidental do estreito de Malaca, principal ponto de passagem de embarcações na Ásia e que concentra cerca de 80% ou mais do comércio marítimo da China.

    Em julho, foi divulgado que os EUA e o Japão ajudaram a implantar uma rede de vigilância subaquática nas ilhas Andaman e Nicobar para monitorar submarinos chineses, embora não houvesse, até agora, confirmação oficial do suposto desenvolvimento.

    "É como um porta-aviões [permanente] […] que dá à Índia um controle muito amplo sobre o espaço marítimo e as rotas marítimas de comunicação para monitorar navios e navios de guerra", disse Kanwal Sibal, ex-secretário de Relações Exteriores da Índia.

    Navio de guerra indiano INS Jalashwa carregando indianos que ficaram retidos nas Maldivas devido ao lockdown contra a pandemia da COVID-19, chega a Kochi, Índia, em 10 de maio de 2020
    © AP Photo / R. S. Iyer
    Navio de guerra no oceano Índico

    China expansiva

    "A China está [se tornando] cada vez mais ativa no oceano Índico como parte de sua estratégia da Rota da Seda Marítima", explica Sibal. Como parte desse plano, a China adquiriu vários pontos de apoio ao redor do oceano Índico nos últimos anos, com empresas chinesas assumindo o controle de portos comerciais no Sri Lanka e no Paquistão.

    Além disso, Sibal afirma que os submarinos chineses agora entram no oceano Índico regularmente.

    Dessa forma, a Índia acelerou nos últimos meses planos para basear forças militares adicionais nas Ilhas Andaman e Nicobar, incluindo instalações para navios de guerra, aeronaves, baterias de mísseis e soldados, de acordo com Abhijit Singh, ex-oficial da Marinha indiana.

    Japão junta esforços com Índia

    No mês passado, o Japão estendeu a assistência ao desenvolvimento para as ilhas pela primeira vez na forma de um subsídio do governo de US$ 36 milhões (aproximadamente R$ 205 bilhões) para atualizar a rede elétrica na ilha de Andaman do Sul, onde a capital Port Blair e a maior parte da população do arquipélago estão localizadas.

    O subsídio, que Deepa Wadhwa, embaixadora aposentada da Índia no Japão, diz "refletir a convergência dos dois países em questões de segurança e compromisso por um Indo-Pacífico livre e aberto", será usado para comprar baterias para ajudar na geração de energia solar na ilha, e sugere uma maior abertura da área para nações amigas, de acordo com especialistas em segurança.

    O indiano Sujan R. Chinoy, diplomata aposentado, argumentou a favor de tal medida, dizendo que a Índia deveria colaborar com os EUA, Japão e Austrália, membros do Diálogo de Segurança Quadrilateral (Quad, na sigla em inglês), para implementar um sistema eficaz de vigilância subaquática ao redor das ilhas, onde está localizado o único comando militar tripartido da Índia, composto pelo Exército, Marinha e Força Aérea.

    Países-membros do Quad (foto de arquivo)
    © AP Photo / Nicolas Datiche
    Países-membros do Quad (foto de arquivo)

    "A vigilância dos [ativos] navais chineses, especialmente submarinos, no Indo-Pacífico deve estar na agenda do Quad e, portanto, do Indo-Japão […]. Uma divisão de responsabilidade no Indo-Pacífico deve ser um objetivo [para o Quad], comenta Sibal, acrescentando que Índia, Austrália e Japão devem assumir, cada um, uma área de responsabilidade, enquanto os EUA preenchem as lacunas com suas enormes capacidades marítimas.

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    Tags:
    Austrália, EUA, Japão, China, Índia
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