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    Após decisão de Tóquio de despejar água contaminada da usina nuclear Fukushima, economista japonês expressou em entrevista à Sputnik sua opinião se a descarga da água é segura e qual é a principal razão de discórdias.

    Takeshi Hamada, professor de economia da Universidade de Hokkai-Gakuen, no Japão, e membro do Conselho Regional de Recuperação da Pesca da Prefeitura de Fukushima, admite, em entrevista a Sputnik Japão, o caráter complexo do problema.

    Problema de segurança ou de comunicação?

    Por um lado, o especialista acredita que o despejo da água da usina não representa realmente uma ameaça.

    Ele aponta que "a água que contém trítio, sendo diluída até os parâmetros necessários, é despejada por todas as usinas nucleares que funcionam normalmente. A experiência nos mostra que isso deve ser bem seguro, no entanto, o público geral não sabia inicialmente disso".

    Ao mesmo tempo, explica o especialista, desta vez a água é muito contaminada, já que após o acidente na Fukushima destroços do combustível radioativo entraram na água subterrânea que se misturou com água de resfriamento contendo trítio. Porém, o professor assegura que a empresa ALPS tratou essa água com alta concentração de contaminação radiativa.

    Trabalhador da TEPCO na usina nuclear de Fukushima
    © AFP 2021 / SHIZUO KAMBAYASHI
    Trabalhador da TEPCO na usina nuclear de Fukushima

    "Suponho que, durante o tratamento, a água destinada para despejo foi diluída até a concentração necessária e corresponde às normas de segurança, portanto, do ponto de vista científico, não devem surgir nenhuns problemas", declarou o economista.

    Por outro lado, o professor nota que as preocupações quanto à descarga de água contaminada surgiram devido à insuficiente conscientização da população sobre o acontecido por parte das pessoas que tomam decisões.

    "A opinião pública soube pela primeira vez do despejo da água com trítio através da mídia, que citava opiniões e especialistas que veem uma ameaça ecológica na descarga de água com trítio. Em tais condições, é difícil convencer as pessoas sobre a segurança de tal procedimento. Tais sentimentos na opinião pública não levam a nada de bom."

    Problema principal é ausência de explicações claras

    O professor Hamada considera que o comportamento das autoridades resultou no surgimento de rumores de que o peixe no mar local é perigoso e, com base nestes rumores, os compradores deixam de comprar o produto.

    "Os distribuidores, supondo que os compradores pensam dessa maneira, continuarão evitando a compra de peixe potencialmente perigoso, preferindo o peixe pescado em regiões seguras. Em resultado, os rumores sobre o perigo do peixe local se fortaleceram ainda mais, e o comércio de peixe em Fukushima ainda não se recuperou", detalhou o especialista.

    Sendo assim, o professor considera que "o mais importante para resolução do problema do despejo de água com trítio é explicar às pessoas que este procedimento é absolutamente necessário a fim de continuar os trabalhos de reciclagem dos reatores danificados".

    Vista aérea mostra tanques de armazenamento de água tratada na usina nuclear de Fukushima, no Japão
    © REUTERS / Kyodo
    Vista aérea mostra tanques de armazenamento de água tratada na usina nuclear de Fukushima, no Japão

    Ainda assim, o especialista aponta que ainda não é certo quem seja responsável por tal situação – a Companhia de Energia Elétrica de Tóquio ou o governo, que promoveu o desenvolvimento da energia nuclear, mas não conseguiu controlar isso. De qualquer maneira, foram os pescadores quem acabou sofrendo mais que os outros.

    "Quanto mais o governo declara sua proximidade com os pescadores e fala dos danos à reputação provocados pelos rumores, mais surge a impressão de que os funcionários criticam os consumidores de não comprarem o peixe. Ou seja, o governo critica os cidadãos comuns, com isso afastando ainda mais os pescadores do povo. Entretanto os pescadores são obrigados a protestar contra o despejo da água contendo trítio, uma vez que no final serão eles novamente os culpados ", concluiu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    água, Fukushima, Usina Nuclear de Fukushima, Japão
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