07:52 23 Janeiro 2020
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    A escolha da linha aérea australiana Qantas Airways representa mais um revés neste ano à Boeing, a grande fabricante de aviões dos EUA.

    A empresa aérea australiana Qantas Airways (QAN.AX) escolheu até 12 aviões A350-1000 equipados com um tanque de combustível extra para voos de até 21 horas da Airbus como fornecedores preferenciais de jatos capazes de oferecer os voos comerciais mais longos do mundo de Sydney a Londres, em detrimento da Boeing.

    Segundo a lista de preços de 2018 da Airbus, a compra da Qantas pode valer até US$ 4,4 bilhões (R$ 18 bilhões) sem os descontos pesados, que são normais para os clientes de companhias aéreas.

    O banco de investimento norte-americano Citi estimou na sexta-feira (13) que os aviões custariam de 3 bilhões de dólares australianos (R$ 8,5 bilhões) a 3,5 bilhões de dólares australianos (R$ 9,9 bilhões), e o investimento provavelmente será faseado em três anos.

    O presidente-executivo da Qantas, Alan Joyce, disse que, com base em dois anos de voos sem escala de Perth a Londres, onde conseguiu bilhetes de luxo apenas 30% maiores que os concorrentes de uma única escala em classes de luxo, a companhia aérea "tinha muita credibilidade" no mercado de serviços sem escala de Sydney a Londres e a Nova York.

    A decisão cimenta a Airbus como líder em voos de longo curso a nível mundial, em uma altura em que a Boeing está lutando contra atrasos no seu programa rival 777X, e uma crise corporativa geral após dois acidentes mortais do 737 MAX.

    Os voos da Qantas devem começar no primeiro semestre de 2023, mas ainda existem problemas, como concluir um acordo de pagamento com os pilotos e a alternância entre voar com o A350 e a atual frota A330 da companhia aérea. A decisão final é esperada em março de 2020, disse a companhia aérea australiana na sexta-feira (13).

    Reações à decisão

    "O A350 é uma aeronave fantástica, e o acordo com a Airbus nos dá a melhor combinação possível em termos comerciais, eficiência de combustível, custo operacional e experiência do cliente", afirmou Alan Joyce.

    O diretor comercial da Airbus, Christian Schererer, agradeceu à Qantas por sua preferência em um comunicado, enquanto um porta-voz da Boeing disse que estava desapontado com a decisão, mas esperava continuar sua parceria de longa data com a companhia aérea.

    O A350-1000 se encaixa bem na Qantas e é "uma aposta muito mais segura", já que a Boeing relatou recentemente problemas como o encalhe do 737 MAX, rachaduras estruturais nos 737 NG, e uma divisão da fuselagem em um teste de estresse de seu 777-9, afirma Rico Merkert, professor de transportes da Universidade da Escola de Negócios de Sydney.

    Negociações

    Mark Sedgwick, presidente da Associação de Pilotos Australiana e Internacional, ressaltou que o sindicato dos pilotos estava à procura de um acordo mutuamente benéfico para a empresa e os pilotos, mas até agora as negociações não tinham atingido esse equilíbrio.

    A Airbus quer aumentar seus tempos de serviço de pilotos para cerca de 23 horas para compensar possíveis atrasos, bem como alternar entre voar com o A350 e a atual frota A330 da companhia aérea. "Continuamos discutindo assuntos com a Qantas", disse o presidente da associação.

    Outras ofertas

    A Boeing tinha proposto sua aeronave 777-8 à Qantas, já que a seleção do A350-1000 vai aumentar as dúvidas sobre os planos futuros da Boeing.

    A companhia dos EUA já tinha afirmado que atrasou o serviço de uma versão menor e de longo alcance do 777-9 para depois de 2022, mas acrescentou que qualquer nova previsão seria feita com base na demanda do cliente.

    A Singapore Airlines Ltd opera o atual voo mais longo do mundo, de Singapura a Nova York, que dura quase 19 horas, usando uma versão ultralonga do A350-900 menor.

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    Tags:
    EUA, Boeing 737 MAX, Austrália, Airbus, Boeing
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