04:01 23 Setembro 2018
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    O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte (foto de arquivo)

    Como declarações de Duterte se refletirão nas relações entre Manila e Pequim

    © REUTERS/ CZAR DANCEL
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    Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, declarou que a China precisa de limitar a sua política de passagem de navios e de aviões pelas regiões contestadas do mar do Sul da China, caso contrário isso pode levar a um conflito.

    Nos últimos tempos, Duterte não tem manifestado muito suas críticas à China, fazendo todo o possível para desenvolver relações mais estreitas com Pequim. Entretanto, ele é conhecido por ser um político imprevisível, que frequentemente faz várias declarações chocantes e depois as rejeita. Agora, a Sputnik China tenta esclarecer, com ajuda de analistas, até que ponto as avaliações dele da situação com a China refletem uma verdadeira mudança na política das Filipinas.

    Segundo o especialista chinês em problemas internacionais Shen Shishun, as relações entre a China e as Filipinas não mudaram.

    "Na questão do mar do Sul da China as Filipinas escolheram a cooperação com Pequim, e não a confrontação. A posição das Filipinas sobre a resolução das disputas é inabalável. Quanto às declarações de Duterte, às vezes ele precisa de reforçar seu prestígio dentro do país, por isso ele pode declarar algo de contrário à posição da China. É possível entender isso. Duterte é o presidente das Filipinas, nessa qualidade ele deve levar em conta os interesses nacionais, não pode defender completamente a posição chinesa. Porém, as Filipinas continuam a não querer uma confrontação com a China. Desse ponto de vista, declarações isoladas não podem influenciar a cooperação filipino-chinesa em geral."

    O analista russo, Andrei Karneev, está de acordo com a opinião do colega chinês sobre a ausência de uma ameaça às relações entre os dois países e vê motivos de política interna nas declarações de Duterte.

    Provavelmente, algumas frases mais duras, em comparação com anteriores, estão ligadas à crítica crescente do presidente dentro do país. Isso acontece em conjunto com a instabilidade do sistema político em geral — não se sabe se Duterte se vai retirar antes do vencimento do seu mandato em 2022 e quem será o seu sucessor neste caso. Ele é criticado também por alegadamente sacrificar a soberania do país para receber créditos e armamento de Pequim.

    Além disso, o povo está descontente pelo modo como Duterte luta contra a corrupção e tráfico de drogas. Parece também que ele não abandonou suas tentativas de balancear entre Pequim e Washington, procurando também o apoio dos EUA. Não é por acaso que a última crítica das ações chinesas foi expressa na presença do embaixador dos EUA.

    Que papel poderá desempenhar o fator americano nesta situação? Muitos especialistas assinalam que os EUA, intensificando seu patrulhamento nas regiões contestadas, procuram fazer passar o conflito para a fase aguda e dificultar a realização dos últimos acordos entre os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático sobre o código de comportamento no mar do Sul da China. Qual será a reação da China?

    "A China e os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático são países da região do mar do Sul da China. A confiança mútua entre eles está se reforçando, a cooperação está se aprofundando, eles defendem em conjunto a paz e estabilidade na região. Em tal situação, se algumas potências de fora da região o quiserem impedir, os esforços delas serão inúteis. Se os EUA aumentarem constantemente a sua atividade na região, isso causará a inquietação dos países vizinhos, isso obrigará a China a reforçar a vigilância. A China prestará mais atenção ao aumento da sua capacidade defensiva. Ou seja, se você tem um inimigo que sempre causa problemas, a sua própria vigilância e capacidade defensiva se reforçam naturalmente. Numa palavra, há males que vêm para o bem", comenta com ironia o especialista chinês, Shen Shishun.

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    Tags:
    relações internacionais, vigilância, declaração, Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Rodrigo Duterte, EUA, China, Filipinas
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