15:44 16 Julho 2019
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    Navios de guerra dos EUA no mar do Sul da China (arquivo)

    Especialista russo comenta mudança na balança de poderes no mar do Sul da China

    © Foto : US Navy / David Mercil
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    Recentemente, analistas norte-americanos do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) publicaram uma investigação científica que propõe medidas para conter a China na "zona cinzenta". O especialista militar russo, Vasily Kashin, comentou o conteúdo do relatório para a Sputnik China.

    Esse trabalho representa uma análise completa das ações da Republica Popular da China nas regiões disputadas dos mares da China Oriental e do Sul da China, bem como a possível reação norte-americana. 

    O especialista militar informou à Sputnik China que o relatório "Contra a coerção na Ásia Marítima: Teoria e prática da dissuasão da Zona Cinzenta" detalha as mais sérias crises navais, onde contaram com participação chinesa, incluindo as tentativas dos chineses de atrapalhar operações dos navios da inteligência norte-americana Inpeccable no mar do Sul da China em 2009, as crises ligadas às ilhas Senkaku (Diaoyu) em 2010 e 2012, e finalmente, o projeto chinês de construção de ilhas artificiais no mar do Sul da China, lançado em 2013.

    Segundo Vasily Kashin,"cada incidente é apresentado segundo o ponto de vista dos EUA ou dos seus aliados, pois é improvável que tais conclusões poderiam ser aceitas pelos chineses ou por quaisquer especialistas não envolvidos no problema. No entanto, o relatório contém um grande número de estimativas e fatos, que os torna bastante válido para os que prestam atenção na situação da região".

    Quanto às recomendações para "resistir à estratégia de coerção chinesa", o especialista russo apontou que "o relatório se distancia da realidade". Em sua opinião, "é pouco provável que EUA sejam capazes de conduzir alguma política lógica em relação à China, pois a posição [norte-americana] muda rapidamente e de modo imprevisível".

    Segundo ele, a situação no mar do Sul da China não foi alterada. É sabido que nos últimos meses a administração de Trump vem tentando impedir o Pentágono de realizar patrulhamento das águas ao redor da ilha Spartly. O especialista indica que EUA precisam muito da cooperação com a China quanto à questão coreana, assim, a Casa Branca prefere não irritar os chineses mais uma vez.

    "Outra recomendação crucial do relatório trata-se do fortalecimento das alianças na região, que também é difícil ser posto em prática", supõe Vasily Kashin.

    "As posições dos EUA no Sudeste Asiático começaram a enfraquecer ainda quando Barack Obama assumia presidência e essa tendência permanece sem mudanças com Trump no poder", disse.

    Quanto ao nordeste da Ásia, a exigência de Trump que Coreia do Sul pague pela instalação do sistema de mísseis THAAD mostra que a Casa Branca não entende a base das relações entre os dois países na área de segurança, opina o especialista.

    No mar do Sul da China, os chineses já conseguiram atingir mudanças significativas no balanço de poderes. Consequentemente, é pouco provável que alguma estratégia norte-americana conseguirá mudar a situação. Ao mesmo tempo, no mar da China Oriental, as tensões são prolongadas, mas deve-se levar em consideração a situação da política interna do Japão, frisa Vasily Kashin.

    Para balancear, o especialista militar russo destaca que "descrição profunda de tática e estratégia da China em relação às disputas territoriais poderia ter ajudado os EUA anos atrás, mas provavelmente não mudará a situação atual".

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    Tags:
    balança de poder, disputa territorial, política externa, administração, medidas, resistência, estratégia, Casa Branca, Pentágono, Vasily Kashin, Donald Trump, Barack Obama, Mar da China Oriental, Mar do Sul da China, Ilhas Senkaku, China, EUA, Japão
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