12:46 23 Agosto 2017
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    Sul-coreanos se reúnem em frente à Embaixada dos EUA em Seul para pedir uma solução pacífica para os problemas com a Coreia do Norte.

    Retórica arriscada: Coreia do Sul apoia posição antirrussa dos EUA

    © AFP 2017/ Jung Yeon-Je
    Ásia e Oceania
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    Crise nuclear das Coreias (56)
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    Com suas recentes declarações militaristas contra a Rússia e China, em muito impostas pelos EUA, a Coreia do Sul decidiu mudar a sua política exterior.

    A Coreia do Sul pode abater mísseis da China ou da Rússia caso estes ataquem o novo sistema americano de defesa antimísseis THAAD. Este deve ser instalado no território sul-coreano em 2017, informou a agência Yonhap citando palavras do ministro da Defesa do país, Han Min-koo.

    A decisão sobre a instalação do novo sistema de defesa antimísseis formalmente é justificada pelos repetidos casos de testes de mísseis balísticos por parte dos norte-coreanos. Assim, o ministro da Defesa sul-coreano declarou na quarta-feira (21) que, apesar da oposição da China e da Rússia, o país precisa do sistema THAAD para garantir a sua segurança.

    Enquanto isso, o especialista militar russo Vladimir Evseev disse, durante uma conversa com a Sputnik Japão, que a justificação da instalação do sistema americano na Coreia do Sul não é fundada em razões objetivas. Ele acha que todo o mundo compreende que nem a Rússia nem a China têm planos de lançar mísseis contra a Coreia do Sul.

    "Mas, mesmo se, em teoria, imaginássemos que estes países têm tais planos, não é inquestionável que o sistema americano seja capaz de interceptar os mísseis russos", notou. 

    O especialista sublinhou também que o mais importante é que o THAAD a ser instalado no território sul-coreano não tem nada a ver com a segurança dos civis coreanos — ele é destinado a proteger as estruturas militares americanas na península coreana.

    Naturalmente, o governo coreano não irá publicamente assumir isso. Mas os sul-coreanos  já por um tempo protestam contra a instalação dos sistemas americanos no seu território, argumentando que isso poderá causar dano à saúde de moradores locais e será mais um pretexto para possíveis ações da Coreia do Norte.

    A Rússia e a China também criticam a decisão, considerando esta como um dos primeiros passos na criação do sistema de DAM global na Ásia-Pacífico. Mas Seul parece que já deixou de dizer que os mísseis não têm nada a ver com Moscou e Pequim — o ministro da Defesa declara abertamente sobre a prontidão de abater mísseis russos e chineses, ainda que míticos, mas ninguém destaca este fato.

    Vladimir Evseev explica tal mudança de retórica por vários fatores: "Os EUA têm maior influência sobre a Coreia do Sul do que sobre o Japão, o acordo atingido entre Washington e Seul sobre instalação do THAAD significa uma maior participação do país na política americana na região", disse.

    "Os EUA apoiam a Coreia do Sul nas sanções contra a Coreia do Norte em troca da retórica antirrussa", disse o especialista militar.

    Outro fator, segundo ele, poderá ser a posição política da presidente do país, Park Geun-hye, que não pode ser classificada como forte. Ela só permanecerá mais um ano no poder e os conservadores recentemente têm vindo a influenciar bastante as suas decisões.

    Tema:
    Crise nuclear das Coreias (56)
    Tags:
    retórica, THAAD, Ásia-Pacífico, Coreia do Sul, Coreia do Norte, China, EUA, Rússia
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