20:50 17 Maio 2021
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    25547
    Nos siga no

    Nesta semana, representantes do governo Biden viajam à América do Sul sem passar pelo Brasil. Para cientista político ouvido pela Sputnik Brasil, o país precisa recuperar sua imagem internacional.

    O Brasil ficará de fora da rota dos Estados Unidos em viagem de representantes à América do Sul. Considerado uma liderança regional, por seu território e importância econômica, o país não receberá a visita de autoridades enviadas pelo presidente norte-americano Joe Biden à Colômbia, à Argentina e ao Uruguai para discutir, entre outras questões, as crises climáticas e da pandemia de COVID-19.

    Juan Gonzalez, assistente especial de Biden e diretor sênior para o Hemisfério Ocidental da Casa Branca, e Julie Chung, secretária adjunta para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, estarão no continente sul-americano do dia 11 a 15 de abril.

    De acordo com a Casa Branca, na Colômbia, os temas serão "a recuperação econômica, a segurança, o desenvolvimento rural, a crise dos migrantes venezuelanos e a liderança climática regional da Colômbia".

    Já na Argentina e no Uruguai, o objetivo é discutir "as prioridades regionais, incluindo o enfrentamento dos desafios da crise climática e da pandemia de COVID-19 e as ameaças à democracia, aos direitos humanos e à segurança em nosso hemisfério e em todo o mundo".

    Bolsonaro e equipe durante conversa telefônica ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.
    © Foto / Marcos Corrêa/Divulgação/Palácio do Planalto
    Bolsonaro e equipe durante conversa telefônica ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

    Para o cientista político Paulo Velasco, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), é "um sinal negativo" o Brasil não estar no roteiro da comitiva.

    O especialista diz que a situação não é inédita, mas que, desta vez, causará estranheza os Estados Unidos "esnobarem" o Brasil.

    "Eles [o novo governo dos EUA] já vêm fazendo críticas sobre a questão ambiental no Brasil. De alguma forma, isso é um recado de que o Brasil terá que assumir uma postura um pouco mais responsável nessa agenda e em outros temas também para contar novamente com um maior prestígio junto aos EUA e à Casa Branca", afirmou Velasco em entrevista à Sputnik Brasil.

    O cientista político alerta que o Brasil vem perdendo sua influência na região nos últimos anos. Segundo ele, no momento, a imagem do país no mundo não é boa.

    Velasco ressalta que, há alguns anos, o Brasil ocupou uma posição de maior destaque no cenário internacional. Apesar de nunca ter sido um parceiro prioritário para os EUA, o país já teve um papel mais relevante aos olhos norte-americanos.

    "Eu diria que, nos anos 2000, durante as presidências de [George] Bush nos EUA e de Lula no Brasil, o país era visto como um ator mais protagonista e merecedor de uma atenção maior", apontou.

    Para o especialista, a capacidade do Brasil em articular consensos "parece bem limitada" atualmente. Velasco explica que o governo de Jair Bolsonaro "tem protagonizado diferenças e grandes desencontros com os vizinhos".

    Novo chanceler pode ajudar a recuperar a imagem do Brasil

    Para o cientista político, o novo ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, já deu algumas mostras de que pode contribuir para que o Brasil volte a ser reconhecido internacionalmente.

    Ele diz que, embora seja cedo para tirar conclusões definitivas sobre a atuação do novo chanceler, o discurso de posse e o diálogo com países sul-americanos foram bons indicativos.

    "O discurso foi moderado, sóbrio, marcado por ponderações bastante relevantes. Ele fez menções à questão ambiental, à necessidade de mais vacinas e às questões mais prementes para o país. A sobriedade talvez seja a grande vantagem do novo chanceler", afirmou Velasco.
    Novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Alberto Franco França (foto de arquivo)
    Novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Alberto Franco França (foto de arquivo)

    Segundo o especialista, o ministro tem trabalhado para reconstruir "pontes queimadas" pelo seu antecessor, Ernesto Araújo, especialmente no diálogo com países sul-americanos.

    Ele ressalta ainda a importância da conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, na última sexta-feira (9).

    Na ocasião, o chanceler brasileiro reconheceu a centralidade da China no cenário mundial e discutiu a cooperação entre os países para aquisição de insumos para a produção de vacinas.

    "Apesar de não ter tanta experiência, pois nunca chefiou uma embaixada no exterior, ele tem boa vontade, conhece bem o que é a identidade internacional do Brasil e sabe da necessidade de tratar temas urgentes, como a compra de vacinas", disse.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Retaliar Brasil por questão ambiental 'não é tão simples como parece', diz especialista
    Cooperação comercial russo-brasileira mantém nível 'aceitável' na pandemia, diz embaixador
    EUA levam mais de 40 tanques de petróleo sírio para o Iraque, diz mídia local
    Tags:
    clima, pandemia, meio ambiente, COVID-19, América do Sul, Jair Bolsonaro, Joe Biden, comitiva, EUA, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar