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    O atual presidente Donald Trump pode ser removido do cargo antes da tomada de posse do presidente eleito Joe Biden em 20 de janeiro a fim de evitar o risco de uma guerra contra o Irã, disse Philip Giraldi à Sputnik.

    Ontem, sexta-feira (8), a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, anunciou ter discutido com os chefes militares norte-americanos as precauções para garantir que Trump não poderia acessar os códigos de lançamento para iniciar uma guerra nuclear. Isto ocorreu após a invasão do Capitólio por manifestantes no dia 6 de janeiro, destinada a impedir que o Congresso aprovasse os resultados da eleição presidencial.

    "Minha preocupação é que ele [Donald Trump] é desequilibrado o suficiente para iniciar uma guerra contra o Irã", considera Giraldi, ex-funcionário da CIA e diretor do Conselho de Interesse Nacional, uma organização apartidária especializada em assuntos de Defesa, em entrevista à Sputnik.

    "Acho que ele é comprovadamente desequilibrado mentalmente e poderia ser removido com base nisso através da 25ª emenda", continuou.

    No entanto, apesar das declarações dos líderes democratas da Câmara de que eles estão dispostos a iniciar o processo de impeachment (destituição), Giraldi expressou ceticismo de que haja um número suficiente dos republicanos no Senado dispostos a votar a favor do impeachment.

    Giraldi explicou que ele não acredita que os democratas possam provar que Trump chamou para uma insurreição.

    "Para destituir Trump, eles teriam que demonstrar que os comentários dele equivalem a um apelo à insurreição. Duvido que eles possam comprová-lo inequivocamente e, seja como for, poucos republicanos seriam a favor", disse o analista.

    Além disso, o início de um processo de destituição do presidente dividiria o país ainda mais, em um momento em que tanto os democratas como os republicanos estão pedindo uma frente unida a fim de reduzir as tensões partidárias e a ameaça de violência política, notou Giraldi.

    Confronto entre policiais e manifestantes em frente ao Capitólio norte-americano
    © AFP 2020 / Roberto Schmidt
    Confronto entre policiais e manifestantes em frente ao Capitólio norte-americano

    "Há uma consideração política de que, se os democratas tiverem sucesso, isto faria de Trump um mártir, o que é exatamente o que ele necessita agora", continuou. "Os manifestantes, se puderem ser identificados, provavelmente enfrentarão uma punição mínima, uma vez que é do interesse de todos, do ponto de vista político, que isso aconteça".

    Mas muitas questões estão sem resposta quanto à facilidade com que os manifestantes foram capazes de invadir o Capitólio.

    "Todo o episódio foi repugnante, e provavelmente nunca saberemos das conivências que os manifestantes utilizaram para entrar no edifício", disse Giraldi.

    Os apelos para a destituição surgiram após milhares dos apoiadores de Trump invadirem o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro, o que foi descrito por muitos políticos como "tentativa de golpe". A invasão resultou em pelo menos cinco pessoas mortas, incluindo um policial e uma veterana da Força Aérea.

    Os democratas pediram a invocação da 25ª emenda à Constituição, o que faria com que o vice-presidente Mike Pence assumisse o cargo de Trump antes de Joe Biden oficialmente tomar posse em 20 de janeiro.

    Enquanto Trump condenou os tumultos em Washington em uma mensagem de vídeo postada no Twitter (agora eliminada pela rede), ele foi acusado não só pelos democratas, mas também pelos republicanos de ter sido responsável pela incitação à violência.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Irã, impeachment, Donald Trump
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