21:45 03 Dezembro 2020
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    Em 22 de outubro, Donald Trump e seu adversário democrata Joe Biden farão o segundo e último debate presidencial, que será na Universidade Belmont, em Nashville, EUA, com Kristen Welker, da emissora NBC, como moderadora.

    Na segunda-feira (19), a Comissão de Debates Presidenciais dos EUA anunciou mudanças nas regras, referindo-se ao primeiro debate presidencial, no qual os participantes se interromperam continuamente, deixando boa parte dos espectadores confusa. De acordo com as novas regras, cada nomeado será silenciado pelo moderador enquanto o outro faz suas observações de dois minutos no início de cada um dos tópicos do debate.

    Na última sexta-feira (16), Welker revelou os seis temas para debate: "luta contra o COVID-19"; "famílias americanas"; "raça na América"; "alterações climáticas"; "segurança nacional"; e "liderança".

    Em resposta ao anúncio da Comissão, a campanha de Trump expressou decepção com a mudança abrupta de regras, bem como a ausência do tema "política externa" na lista. Embora as questões delineadas por Welker sejam consideradas merecedoras de discussão, a equipe da campanha de Trump afirma que "quase todas foram discutidas longamente durante o primeiro debate vencido pelo presidente Trump, com moderação de Chris Wallace e com candidato Joe Biden".

    Os partidários do presidente norte-americano sugeriram um certo favoritismo político por parte da moderadora Welker, que alegadamente veio de uma "família democrata estabelecida", tendo doado milhares de dólares a candidatos democratas, incluindo Barack Obama, Hillary Clinton e Joe Biden, de acordo com o tabloide The New York Post.

    Os três trunfos de Trump

    Independentemente das mudanças nas regras de última hora, a campanha de Trump concordou em participar do debate de quinta-feira (22), faltando apenas duas semanas para o dia da eleição, em 3 de novembro.

    "A mudança de regras para o próximo debate pode realmente servir bem ao presidente", acredita Anthony Angelini, consultor político do Partido Republicano. "Quando a guerra ideológica é realmente aprofundada, o presidente geralmente vence [...] Quanto mais Biden puder falar ininterruptamente, mais ele se enterrará em um buraco. Deixe Biden falar. Ele só vai se envergonhar".

    O consultor político sugeriu que o tema de política externa teria sido uma vitória fácil para o presidente republicano, pois Trump "é o primeiro presidente em uma geração que não inicia uma nova guerra", destacou Angelini. "Ele assinou acordos históricos com Israel e o mundo árabe. Suas prioridades estão de longe no lugar certo no que diz respeito à política unilateral".

    Outra vitória sugerida para Trump, segundo o analista, é a economia. Angelini não acredita que "alguém realmente culpe [Trump] pelo vírus e pelas mortes". À medida que a pandemia de COVID-19 continua, os norte-americanos procuram alguém para reconstruir a economia, e Trump parece ser o homem certo para o cargo, acredita o consultor.

    Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump (à esquerda) e Joe Biden (à direita), durante debate presidencial em Cleveland, 29 de setembro de 2020
    © REUTERS / Jonathan Ernst
    Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump (à esquerda) e Joe Biden (à direita), durante debate presidencial em Cleveland, 29 de setembro de 2020
    De acordo com Angelini, "Trump é o presidente que herdou uma economia ruim e a corrigiu com cortes de impostos e desregulamentação". Por outro lado, "Biden é o vice-presidente cuja administração herdou uma economia ruim e a prolongou por oito anos", acrescenta.

    Trump vai provavelmente trazer ao debate as alegações contra Hunter Biden, de acordo com Angelini. Na semana passada, um escândalo estourou após o tabloide The New York Post ter divulgado alegados "e-mails fumegantes" do laptop do filho do candidato democrata, que supostamente se referem a um esquema de pagar-para-jogar, envolvendo o ex-vice-presidente Joe Biden e seus familiares, bem como indivíduos estrangeiros não identificados.

    Uma fonte policial disse à CBS que o FBI (Departamento Federal de Investigação) e o DOJ (Departamento de Justiça), em acordo com John Ratcliff, que e-mails, supostamente pertencentes a Hunter Biden, não faziam parte da campanha de desinformação russa. O FBI já tem o laptop. Relatórios separados sugerem que (isto) pode ser parte de influência estrangeira.

    As alegações de 14 de outubro, que foram imediatamente banidas pelo Twitter e impedidas de ampla circulação pelo Facebook, sendo caracterizadas como notícias falsas, foram seguidas por um lançamento do portal Breitbart de e-mails supostamente pertencentes ao ex-sócio comercial de Hunter Biden, Bevan Cooney, que atualmente está cumprindo uma sentença por fraude.

    Em 20 de outubro, o advogado de Trump, o ex-prefeito Rudy Giuliani, anunciou que entregou o laptop de Hunter Biden à polícia de Delaware, EUA, declarando a existência de materiais sexualmente explícitos que envolveriam jovens menores no computador.

    ​URGENTE: Rudy Giuliani anuncia que entregou o disco rígido (do laptop) de Hunter Biden à Polícia Estadual de Delaware devido à existência fotos de jovens menores de idade e mensagens de texto inadequadas.

    O Diretor de Inteligência Nacional dos EUA nomeado por Trump, John Ratcliff, deixou claro que os materiais mencionados não fazem parte da chamada "campanha de desinformação russa", como foi alegado anteriormente por alguns democratas.

    "Biden será e deve ser pressionado a responder pelos de escândalos de seu filho, Hunter", ressalta o consultor do Partido Republicano. "Tenho certeza de que Trump vai persegui-lo por isso, e com razão. Biden vai se desviar, mas quanto mais Trump disser 'Hunter', melhor será para Trump".

    Biden e Trump lutarão por eleitores indecisos em sete estados

    Dado que o próximo debate foi precedido por um recorde de comparecimento às urnas, parece que a maioria dos cidadãos norte-americanos já decidiu quem será o próximo presidente dos EUA.

    "Biden está à frente de Trump nas pesquisas de opinião pública nacional e em estados-chave", garante Eric S. Heberlig, professor de ciências políticas da Universidade da Carolina do Norte, EUA. "Há menos eleitores indecisos do que o normal neste ponto da campanha. Deste modo, pode não haver muitas pessoas dispostas a fazer sua escolha de voto com base no desempenho de cada candidato no debate. Isto significa que Biden pode correr alguns riscos no debate, mas se não cometer erros graves, poderá considerar o mesmo como um sucesso".

    A gerente de campanha de Biden, Jen O'Malley, alertou recentemente contra a confiança nas pesquisas nacionais, que afirmam que o candidato democrata está à frente do atual presidente por dois dígitos. "Por favor, considere-se o fato de que não estamos à frente por dois dígitos", observou O'Malley na última sexta-feira (16), citada por um repórter do jornal The New York Times. "Esses são números de pesquisas públicas nacionais inflacionados".

    As pesquisas podem estar erradas, presume Bill Ravotti, analista político e ex-candidato republicano ao Congresso dos EUA. Na verdade, muitos norte-americanos têm medo de mostrar abertamente o seu apoio a Trump por medo de "serem fisicamente agredidos, ou verem um tijolo ser atirado às suas janelas", sugere o analista, acrescentando que "outros têm medo de expressar sua opinião por perder o emprego na América corporativa".
    Presidente dos EUA, Donald Trump durante comício em Tucson, no Arizona (EUA), 19 de outubro de 2020
    © AFP 2020 / Mandel Ngan
    Presidente dos EUA, Donald Trump durante comício em Tucson, no Arizona (EUA), 19 de outubro de 2020

    David Schultz, autor e professor de ciência política da Universidade Hamline, EUA, argumenta que as pesquisas nacionais devem ser ignoradas, pois nos EUA "o voto popular não escolhe o presidente e, em vez disso, é o voto eleitoral. A forma como o voto eleitoral funciona nos EUA é que um candidato deve garantir 270 votos eleitorais no total nas 50 eleições estaduais separadas".

    O último debate presidencial, de acordo com Schultz, é sobre mobilizar alguns eleitores indecisos em sete grandes estados: Arizona, Flórida, Michigan, Minnesota, Carolina do Norte, Pensilvânia e Wisconsin. Ao apostar nos estados indecisos em 2016, Trump saiu na frente, mesmo tendo perdido o voto popular dos EUA para Hillary Clinton por uma ampla margem.

    "Serão alguns eleitores indecisos nesses estados que decidirão a eleição. Na maioria dos estados decisivos, as pesquisas sugerem uma disputa acirrada e qualquer candidato pode vencer", diz Schultz.

    O cientista político observa que Trump precisa esperar que este debate final motive sua base de classe trabalhadora branca sem diploma universitário a votar em grande número, e desencoraje mulheres suburbanas com educação universitária, a base crítica de Joe Biden, a ir votar. "Este último grupo ficou em casa em 2016 e entregou a vitória a Trump", comenta. "Biden precisa fazer com que essas mulheres votem, junto com os jovens e as pessoas de cor".

    Apesar deste último debate ser visto mais como um catalisador de mudanças de decisão na intenção de voto, muitos acreditam que tal não irá acontecer. No entanto, os acadêmicos americanos continuam discutindo se o confronto poderá vir, de fato, a virar o jogo.

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    Tags:
    eleições presidenciais, Casa Branca, EUA, Joe Biden, Donald Trump
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