14:41 09 Julho 2020
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    Situação em torno da pandemia de COVID-19 no fim de abril (140)
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    Ao contrário de países como o Brasil e o Equador, que optaram por proteger a economia durante a crise sanitária, o governo da Argentina decidiu priorizar a saúde e as camadas sociais mais desvantajadas.

    Cada país sul-americano adotou uma abordagem diferente no combate à disseminação do coronavírus. A estratégia do governo da Argentina de Alberto Fernández é pontuada por um forte apoio às camadas sociais mais vulneráveis, relata Gonzalo Fore Viani, um advogado e comentador político originário de Córdoba, em entrevista à Sputnik Internacional.

    "[Alberto Fernández] assumiu a pandemia logo no primeiro momento, ordenando uma quarentena total e um distanciamento social, impedindo o aumento dos casos", explica à Sputnik Internacional. "Foi muito diferente da abordagem dos presidentes [Jair] Bolsonaro, no Brasil, ou Lenin Moreno, no Equador".

    "Eles priorizaram a economia sobre a saúde de seus cidadãos e acabaram provocando um desastre nacional, não só para a saúde, mas também para a economia".

    Apesar da contração econômica que o país já vivia antes da pandemia, e a possibilidade de default, o governo argentino imprimiu dinheiro e o direcionou para as pessoas de baixa renda e desempregadas, cortou impostos e reduziu as taxas de juro para as empresas afetadas pela recessão.

    A decisão de proibir as demissões foi "a melhor possível", pois o já alto desemprego poderia levar à pior crise desde 2001, refere Viani. O governo anunciou que pagará 50% dos salários das empresas inativas durante a pandemia. Além disso, anunciou um imposto único para quem tem ativos superiores a 10 milhões de pesos argentinos (R$ 800,3 mil), mas este ainda não foi aprovado pelo Congresso.

    Argentina se preparou para a COVID-19?

    Buenos Aires está bem preparada para a pandemia, diz Gonzalo Viani.

    "A China enviou 1.500 kits médicos, que foram muito úteis e importantes para a Argentina", afirma à Sputnik.

    "Diminuindo a taxa de casos em primeiro lugar, o governo central e as autoridades provinciais ganharam tempo valioso, que usaram para aumentar o número de leitos em hospitais, preparar o pessoal médico e obter suprimentos de biossegurança".

    De acordo com o presidente, a quarentena tem cinco etapas, e a Argentina está neste momento vivendo a terceira, em que 45% da população trabalha. As próximas etapas terão um maior número de pessoas trabalhando, até chegar ao "novo normal", mas com medidas sanitárias rigorosas para evitar um aumento dramático dos casos.

    Pessoas mantêm distanciamento social enquanto esperam na fila para coleta voluntária de amostras de sangue a fim de detectar o coronavírus, na estação de trem Constitución em Buenos Aires, Argentina, 24 de abril de 2020
    © REUTERS / Agustin Marcarian
    Pessoas mantêm distanciamento social na Argentina em meio à pandemia do coronavírus

    A verdadeira incógnita são os prazos do isolamento social, menciona.

    Dívida da Argentina

    A restruturação da dívida tem o objetivo de aliviar o estado da economia, que a vice-presidente do país, Cristina Kirchner, recentemente afirmou ser necessária para poder pagá-la no futuro, diz o advogado.

    "Penso que o governo pode efetuar negociações bastante bem-sucedidas, especialmente com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e embora a situação com os credores privados seja mais difícil, também é possível chegar a um acordo", diz Viani, referindo o apoio de Emmanuel Macron na França, de Angela Merkel na Alemanha, e de Donald Trump nos EUA.

    A política de Buenos Aires resultou na alta popularidade do presidente, que chega "inclusive a máximos históricos".

    "Creio que Fernandez fez o melhor que pôde, dadas as circunstâncias", resume o especialista.

    A Argentina registra 4.285 casos de infecção de coronavírus, com 214 mortes e 1.192 recuperações, segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA).

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    Situação em torno da pandemia de COVID-19 no fim de abril (140)

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    Tags:
    Universidade Johns Hopkins, Sputnik, Córdoba, COVID-19, FMI, América do Sul, Alberto Fernández, Equador, Brasil, Argentina
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