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    Situação em torno da pandemia de COVID-19 no fim de abril (140)
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    Os Estados Unidos têm registrado numerosos exemplos de pouca transparência por parte das autoridades acerca da disseminação da pandemia, afirmando que a informação não deve acabar nas mãos erradas.

    O governo norte-americano está sendo acusado de optar pelo secretismo perante a COVID-19 e não pela transparência, relata o portal The Conversation.

    Os casos incluem ordens para limitar a informação pública, proibição de jornalistas falarem com funcionários de saúde e a incapacidade dos estudantes de saberem qual é o plano de emergência de suas universidades.

    Em termos numéricos, os Estados Unidos são o país mais afetado pela COVID-19, com mais de um milhão de infecções (cerca de um terço do número total de pessoas infectadas globalmente).

    No entanto, os EUA não são o país com maior incidência de mortalidade oficial. Os números indicam que há 169 mortes por um milhão de habitantes, uma taxa que a coloca abaixo da Bélgica, que lidera a lista com 622 mortes na mesma proporção, segundo as estimativas do portal Our World in Data, da Universidade de Oxford, Reino Unido.

    A Bélgica tem mais de 46.000 casos (47.859, de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkings, EUA), em uma população quase 30 vezes menor do que a dos Estados Unidos, indica Our World in Data. O jornal Financial Times afirma que os números dos EUA podem estar subestimados em até 60%, e sobrestimados no caso da Bélgica.

    Uma das razões pelas quais a Bélgica justifica sua taxa de mortalidade extremamente alta em comparação com outros países é que o país optou por incluir casos suspeitos, mas principalmente por causa da "maior transparência" no fornecimento dos dados. O governo norte-americano, pelo contrário, tem sido acusado de sigilo.

    Segredo em plena pandemia

    Desde que a propagação do coronavírus se acelerou nas últimas semanas, as autoridades locais, estaduais e federais dos Estados Unidos bloquearam informações ao público, advertiu David Cuillier, professor de jornalismo da Universidade do Arizona.

    Pedestres usando máscaras caminham na frente de prédios fechados enquanto a propagação da COVID-19 continua no bairro de Brooklyn, na cidade de Nova York, EUA, 27 de abril de 2020
    © REUTERS / Lucas Jackson
    Pedestres usam máscaras nos EUA em meio à propagação da COVID-19

    Cuillier tem se deparado com casos de estudantes que exigem de suas universidades saber os planos de proteção contra a pandemia e não o conseguem, mesmo com ordens para limitar a informação pública e proibindo jornalistas de falar com pessoal médico ou oficiais de saúde.

    "Os recentes fechamentos de informações lembram as ações empreendidas imediatamente após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando os governos fecharam enormes quantidades de informações, incluindo registros mostrando as condições precárias de pontes e barragens", escreveu Cuillier.

    Exemplos de sigilo citados pelo acadêmico:

    • O Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) não aceita mais pedidos de informações sobre o vírus online ou por e-mail. Cuillier ressalta que, se alguém quiser informações, deve enviar seu pedido pelo correio, "o que ironicamente é mais provável de transmitir o vírus".

    • Um jornalista que queria cobrir a reunião do conselho municipal de 23 de março na Palestina, estado de Texas, não pôde fazê-lo e foi banido da reunião, embora houvesse menos de 10 pessoas na sala. O conselho também não permitiu que o público ouvisse a reunião através de um número gratuito, conforme exigido pela lei estadual.

    • Estudantes da Universidade da Flórida (uma das instituições financiadoras do The Conversation) queriam saber sobre o plano de emergência pandêmico da instituição, mas não tiveram acesso ao mesmo. A universidade está escondendo informações com base em uma "brecha na lei" projetada para evitar que terroristas e outros inimigos explorem as fraquezas do governo", segundo Cuillier.

    • Algumas agências federais argumentam que o acesso às informações governamentais não é uma necessidade ou função essencial. Mas a pesquisa sugere que, ao contrário, esta é extremamente importante para a saúde e o bem-estar das pessoas. "Estudos têm mostrado que informações abertas do governo levam, por exemplo, a alimentos mais seguros nos restaurantes, menos corrupção e maior confiança no governo", diz o acadêmico.

    A Coalizão Nacional de Liberdade de Informação (National Freedom of Information Coalition) dos EUA, que reúne mais de 130 organizações sem fins lucrativos de diversas origens, "instou fortemente os órgãos e agências governamentais a se comprometerem novamente com seu dever de incluir o público no processo de elaboração de políticas, incluindo políticas relacionadas à COVID-19, bem como às funções rotineiras de governança".

    Recentemente, a administração Trump tem acusado a China de ocultar dados sobre a disseminação e natureza do coronavírus.

    Tema:
    Situação em torno da pandemia de COVID-19 no fim de abril (140)

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    Tags:
    Universidade de Oxford, Financial Times, Bélgica, Universidade do Arizona, FBI, COVID-19, EUA
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