12:41 14 Julho 2020
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    O presidente estadunidense Donald Trump confirmou na terça-feira que teve uma conversa por telefone com o líder do Talibã, tornando-se o 1º presidente na história a falar diretamente com o grupo extremista que hospedou a Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países).

    A aliança entre as duas organizações é anterior aos ataques de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Talibã é responsável pela morte de milhares de soldados norte-americanos em quase 19 anos de conflito armado no Afeganistão.

    "Tivemos uma conversa muito boa com o líder do Talibã [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países] hoje e eles querem que isso acabe, e queremos que isso acabe. Acho que todos temos um interesse comum", disse o presidente. "De fato, tivemos uma conversa muito boa com o líder do Talibã".

    A ligação de terça-feira, que o Talibã disse que durou 35 minutos, veio dias depois dos EUA e o grupo assinarem um acordo sobre a retirada das tropas dos EUA, permitindo que Trump avançasse uma importante promessa de campanha para tirar o pais do que ele chamou de "guerras intermináveis " e preparando o caminho para iniciar negociações no Afeganistão.

    Trump deu a entender que não era a primeira vez que ele falava com o grupo por telefone. Questionado na terça-feira sobre se o líder do Talibã foi sua primeira conversa, o presidente respondeu: "Eu não quero dizer isso".

    O líder da delegação Talibã, Abdul Ghani Baradar assinando o acordo de paz com o emissário dos EUA para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, no Qatar, em 29 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / IBRAHEEM AL OMARI
    O líder da delegação Talibã, Abdul Ghani Baradar assinando o acordo de paz com o emissário dos EUA para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, no Qatar

    Anteriormente, o porta-voz do Talibã, Zabiullah Mujahid, escreveu no Twitter que o presidente havia falado por telefone com o mulá Abdul Ghani Baradar, co-fundador do grupo e diretor de seu ramo político no Qatar.

    "O relacionamento que tenho com o mulá é muito bom", declarou Trump. "Hoje tivemos uma conversa muito boa e longa e, você sabe, eles querem acabar com a violência. Eles também querem acabar com a violência".

    O secretário de Estado Mike Pompeo testemunhou o acordo, que os principais negociadores de ambos os lados assinaram no sábado passado em Doha, no Qatar. Sob o pacto, as 13.000 tropas dos EUA deixarão o Afeganistão em 14 meses, caso o Talibã cumpra suas obrigações para com os EUA.

    Esses compromissos estão ligados ao combate ao terrorismo, impedindo que o Afeganistão se torne um refúgio para terroristas, denunciando grupos terroristas, cortando seus laços anteriores com a Al-Qaeda e ajudando a combater a subsidiária do grupo Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países).

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    Tags:
    acordo, 11 de setembro, guerra, violência, terrorismo, Talibã, Daesh, Al-Qaeda, Donald Trump, Qatar, Afeganistão, Estados Unidos
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