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    Apoiadores pró-governo segurando a bandeira da Venezuela em protesto contra o presidente dos EUA, Donald Trump, em Caracas, 14 de agosto de 2017

    Chancelaria russa critica ingerência americana nos assuntos da América Latina

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    Os Estados Unidos intervêm de maneira direta nos assuntos da América Latina, afirmou nesta sexta-feira (1º) a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova. 

    "Somos testemunhas de uma ingerência direta tanto em assuntos internos como na agenda internacional da região por parte dos Estados Unidos", afirmou a funcionária durante coletiva de imprensa. 

    Como caso concreto, ela falou sobre a situação da Venezuela. A diplomata recordou uma declaração recente do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que no dia 17 de outubro escreveu em seu Twitter que "[Nicolás] Maduro usa a comida como arma política". Ele ainda publicou um vídeo no qual é dito que o presidente venezuelano "força" a população a "escolher entre comida e liberdade". 

    EUA se 'apropriaram' de fundos venezuelanos, diz chanceler

    Para Zakharova, "é irônico que isso seja dito por um alto funcionário dos Estados Unidos, suponho que ainda não tenha se esquecido quem decretou expropriar milhões [de dólares] da Venezuela, que o governo de Maduro poderia ter destinado a atender as necessidades sociais, como remédios e alimentos". 

    Segundo ela, agora "os fundos apropriados são usados em esquemas de corrupção da oposição". 

    A Venezuela vive uma crise política, econômica e social que se agravou em janeiro, quando Maduro iniciou um novo mandato, considerado ilegítimo pela oposição, e os EUA decidiram apoiar a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente do país. 

    Desde então, os EUA vem intensificando as sanções contra o governo Maduro e adotado medidas punitivas de caráter comercial e financeiro. 

    'Evitem especular sobre resultados' na Bolívia

    A funcionária da chancelaria russa também falou sobre a situação da Bolívia, mas sem citar Washington especificamente. Segundo ela, a comunidade internacional deveria se abster de especular sobre os resultados das recentes eleições no país

    "Esperamos que atores externos evitem [...] especular sobre os resultados, assim como expressar coisas ou empreender ações que poderiam resultar em uma escalada nos protestos ou alterações da ordem pública", afirmou Zakharova. 

    Protestos em La Paz após as eleições na Bolívia, em 21 de outubro de 2019
    © REUTERS / Ueslei Marcelino
    Protestos em La Paz após as eleições na Bolívia, em 21 de outubro de 2019

    O presidente Evo Morales foi reeleito nas eleições de 20 de outubro ao obter 47,08% dos votos, frente a 36,5% do candidato opositor, o ex-presidente Carlos Mesa, uma diferença de 10,57% pontos, ou apenas 0,57% acima do que o atual mandatário precisava para vencer no primeiro turno. 

    Nos últimos dias, a Bolívia enfrentou uma onda de protestos, que deixaram vários mortos e feridos. Mesa convocou a oposição a se manifestar contra as supostas irregularidades do pleito. 

    Na quinta-feira (31), a Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou uma auditoria do processo eleitoral boliviano. 

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    chancelaria, Mike Pompeo, chavismo, Nicolás Maduro, Juan Guaidó, economia, eleições, Crise, américa latina, Rússia, Bolívia, Venezuela
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