17:17 21 Outubro 2019
Ouvir Rádio

    Eleição na Argentina é chave para acordo entre Mercosul e UE, diz cientista política

    © AP Photo / Gustavo Garello
    Américas
    URL curta
    471
    Nos siga no

    Celebrado como feito histórico e promessa de circulação bilionária de recursos, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia depende muito das eleições presidenciais deste ano na Argentina porque o líder nas pesquisas já prometeu revisar o pacto. A avaliação é da cientista política e professora da Unesp Karina Mariano.

    Assinado após décadas de negociações, o acordo entre o bloco latino e o europeu tem potencial para aproximar as economias com a promessa de reduzir tarifas, impostos e burocracias. Para entrar em vigor, contudo, ele ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e o Congresso dos quatro países membros do Mercosul — o que deverá tomar anos.

    Para abreviar essa tramitação, Brasil, Uruguai e Paraguai defendem que ele entre em vigor após aprovação do Parlamento Europeu e do Congresso de cada país do Mercosul, sem a necessidade de uma posição unânime. O apoio é ainda mais enfático porque o líder nas pesquisas para as eleições presidenciais deste ano na Argentina, Alberto Fernández, disse que pretende revisar o pacto porque ele condena os latinos a um processo de "desindustrialização".

    "Caso se concretize o que supomos que ele é – que nós vendamos produtos primários e eles nos vendam produtos industriais – teremos que revisá-lo, sem nenhuma dúvida", disse Fernández.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Mariano ressalta que há um temor de que uma possível eleição de Fernández impeça que o acordo entre em vigor e que a possibilidade de acordos comerciais sem a concordância de todos os países é um dos temas centrais da 54ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul que foi encerrada nesta quarta-feira (17).

    Estudiosa do Mercosul, a professora da Unesp diz que mudar a estrutura do bloco para facilitar a entrada em vigor do acordo com os europeus irá afetar a integração regional:

    "Isso romperia com a ideia da integração, porque a ideia é o bloco trabalhando conjuntamente. Na medida que isso é levado adiante, pode fragilizar o bloco. O fato de exigir consenso leva a uma maior negociação entre os países, se eu posso desconsiderar a opinião dos outros, qual é a lógica e integração?"

    Ela também relembra que a Comunidade Andina (bloco formado por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) passou por um processo semelhante quando negociou um acordo com a União Europeia. Enquanto Colômbia e Peru apoiavam o acordo, Bolívia e Equador faziam oposição, ressalta a professora da Unesp. A solução adotada foi a União Europeia fazer acordos comerciais bilaterais com cada um dos países.

    Mais:

    Quem se beneficia com Brasil assumindo presidência pró-tempore do Mercosul?
    Bolsonaro vai propor um acordo de livre comércio entre Mercosul e EUA, diz porta-voz
    Veja a agenda de Bolsonaro em sua primeira participação na Cúpula do Mercosul
    No Mercosul, Bolsonaro diz que é preciso 'zelo' para indicar embaixadores
    Especialista: Acordo UE-Mercosul protege Europa e deixa Brasil vulnerável
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar