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    Jihadistas de Frente al-Nusra afiliada a Al-Qaeda's no destruido campo de refugiados palestino Yarmuk  ao sul de Damasco, setembro 2014

    'Agenda de jihadismo islâmico beneficia EUA'

    © AFP 2018 / RAMI AL-SAYED
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    O professor da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Alfredo Jalife-Rahme, expôs à agência Sputnik Mundo sua visão a respeito da situação política e financeira global, abordando também perspectivas da comunidade internacional depois da recente 71ª Assembleia Geral da ONU.

    Segundo ele, "o discurso de despedida do presidente norte-americano, Barack Obama, na Assembleia Geral da ONU não foi bem recebido, porque ele se dedicou a ridicularizar a Rússia na ordem unilateral, enquanto na realidade os fatos não correspondem aos eventos".

    Na opinião do especialista, os EUA foram responsáveis pela mudança do regime na Ucrânia e derrubada do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich.

    "A Ucrânia não é um país qualquer, ela pertence à mãe Rússia", destacou Jalife-Rahme.

    Segundo ele, "a grande parte dos habitantes da Ucrânia, principalmente na região leste, são russófilos e russófonos" que já vinham demonstrando interesse de se aproximar do seu grande vizinho do Oriente.

    O especialista revelou que o recente vazamento de dados indica que o especulador financeiro dos EUA, George Soros, é responsável por ter financiado o conflito na Ucrânia.

    Jalife-Rahme destaca que a Crimeia é uma "questão essencial para Rússia" por ter saída para os mares Negro e Mediterrâneo.

    Todos os acontecimentos passados demonstram que a Rússia não quer permitir a repetição do cenário de 2008 na Geórgia.

    "Não estão entendendo que a Rússia não aceitará humilhações que a União Soviética sofreu na época de Gorbachev e Yeltsin", disse.

    Além disso, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Obama apresentou uma versão da situação na Síria e no Iraque que "não corresponde à realidade".

    O especialista explica que os EUA, não a Rússia, invadiram o Iraque contribuindo para criação do jihadismo islâmico.

    Segundo ele, os países RIC (Rússia, Índia e China) são os principais alvos dos jihadistas porque a população muçulmana nestes países é significativa. Por exemplo, na Rússia 20% dos residentes são muçulmanos.

    "Em termos geográficos, a população russa não apresenta mudanças quanto à taxa de natalidade, enquanto a natalidade islâmica está crescendo", salienta.

    De acordo com ele, "todas estas situações que levaram à criação do grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e em vários outros países), contribuíram ao que está acontecendo agora na Síria, onde se juntam vários fatores", como por exemplo, as guerras de oleodutos providos do Iraque, Irã, Qatar e Arábia Saudita e cujo objetivo é a saída para o mar Mediterrâneo através da costa leste da Síria.

    "A Rússia precisa se defender nesses territórios, pois o jihadismo ameaça desestabilizar os países RIC", conclui.

    Ao mesmo tempo, segundo Jalife-Rahme, o discurso de Obama na Assembleia Geral da ONU foi "falso e muito hipócrita".

    "Os EUA deixam o caos por onde passam de propósito, pois eles controlam esse caos da Wall Street e de Washington", diz o especialista.

    Ele acredita que "os EUA devem discutir a nova ordem mundial com a Rússia, que possui número até maior de ogivas nucleares, e com a China que se transformou em uma superpotência econômica".

    No que diz respeito à situação financeira internacional e desafios na área da economia, Jalife-Rahme destacou que o mundo está vivendo uma guerra geo-financeira, onde se aplica "modelo dos anos 80 do século 20, anteriores ao colapso da URSS".

    Ele frisa que "aquele período os EUA fizeram cair os preços de petróleo, afetando a situação financeira da URSS". De acordo com o especialista, o mesmo aconteceu em 2014 e 2015 quando o rublo foi golpeado e preços do petróleo sofreram uma queda.

    Por sua parte, ressalta Jalife-Rahme, em 2015 a China teve que gastar um bilhão de dólares das suas reservas para parar a "guerra especulativa" chefiada pelo economista George Soros, responsável pelo abalo político e econômico dos últimos anos.

    Segundo o especialista, o objetivo final dos EUA foi obter "mão-de-obra muito barata" para tirar proveito das dificuldades econômicas enfrentadas por vários países, entre eles, países da América Latina.

    "Estamos vivendo uma guerra financeira terrível", conclui Jalife-Rahme.

    A entrevista completa de Alfredo Jalife-Rahme ao programa GPS Internacional da Rádio Sputnik está disponível na página da publicação "Alfredo Jalife-Rahme: jihadismo está destinado a desestabilizar a Rússia, Índia e China".

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    Tags:
    população, muçulmanos, discurso, jihadismo, petróleo, Assembleia Geral da ONU, Rádio Sputnik, Daesh, George Soros, Boris Yeltsin, Mikhail Gorbachev, Viktor Yanukovich, Barack Obama, Mar Mediterrâneo, União Soviética, Qatar, mar Negro, Crimeia, Irã, Iraque, Arábia Saudita, Índia, China, EUA, Rússia
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