06:49 20 Junho 2018
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    Militantes das FARC na Colômbia

    Senador colombiano: é essencial ganhar confiança da população

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    Antonio Navarro Wolff, senador colombiano, ex-chefe do grupo armado insurgente M-19 e líder do primeiro processo de paz na Colômbia em 1990, foi entrevistado pela agência Sputnik sobre o acordo com as FARC.

    Wolff falou sobre a importância de um referendo a ser realizado no dia 2 de outubro, além de várias outras questões – acordos de paz, dificuldades do atual processo, dando também recomendações aos líderes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

    Vale notar que Wolff foi um dos três presidentes da Assembleia Constituinte em 1991, representante da Câmara, senador e ministro de saúde, além de ocupar outros cargos.

    Questionado pela Sputnik, Wolff destacou a importância dos acordos que acabam de ser firmados. Segundo ele, o próximo passo será a "votação decisiva do povo". Se o resultado for positivo, "dentro de seis meses será realizado o desarmamento completo das FARC. Caso contrário, incertezas continuarão", ressalta.

    Falando sobre as diferenças entre os dois processos de paz – o de 1990 e o de 2016, o senador respondeu que, na realidade, são três. No primeiro processo, a negociação decorreu de forma mais simples. Além disso, embora o país estivesse coberto de desconfiança, ela desapareceu quando o acordo foi firmado, ao contrário de hoje, quando existe uma oposição chefiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe. A terceira diferença é que naquela época, decisões judiciais foram tomadas no âmbito de anistia, enquanto hoje isso já não é possível, porque existe o assim chamado Estatuto de Roma [que criou a Tribunal Penal Internacional em 1998 para julgar delitos de genocídio, crimes de guerra e contra humanidade]. Wolff opina que hoje são necessários novos conceitos e fórmulas.

    No que diz respeito à integração das FARC, Wolff explica que elas têm grande desvantagem em relação à opinião pública. Segundo ele, a participação das FARC na política deve ser o primeiro passo. Como segundo ponto o senador destaca a necessidade do processo de reintegração de guerrilheiros (30 mil reintegrações foram feitas na Colômbia nos últimos 26 anos). Além disso, de acordo com Wolff, é importante que o governo colombiano controle as regiões onde surgem as FARC, porque é nelas onde predomina a economia ilegal. Na opinião dele, o governo tem que ocupar estes territórios para evitar a presença de grupos criminosos.

    Quanto ao narcotráfico, o senador aponta como principal problema a economia ilegal que leva ao surgimento de grupos armados que podem substituir as FARC.

    Wolff creia que as FARC "vão depender muito da opinião pública". Segundo ele, a organização terá que ganhar confiança da população. Na opinião do deputado, as FARC não hesitarão em se esforçar para cumprir suas promessas.

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    Tags:
    acordos, referendo, votação, senador, entrevista, Sputnik, Tribunal Penal Internacional, FARC, Álvaro Uribe, Roma, Colômbia
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