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Acordo de grãos entre Rússia e Ucrânia tem futuro? Especialistas dão suas opiniões

© Sputnik / Konstantin MikhalchevskyTrabalhadores em um terminal de grãos no distrito de Krasnogvardeysky, na Crimeia, foto publicada em 7 de julho de 2023
Trabalhadores em um terminal de grãos no distrito de Krasnogvardeysky, na Crimeia, foto publicada em 7 de julho de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 14.07.2023
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A Rússia está avaliando se prorroga o acordo de grãos assinado em 2022 com a Ucrânia, a Turquia e a ONU, que assegura a exportação de produtos alimentares para fora do mar Negro.
O acordo de grãos expira na segunda-feira (17) e ainda não está claro se ele será prorrogado. A Sputnik falou com especialistas, que deram sua opinião sobre a possibilidade de sua prorrogação.

O que é o acordo de grãos?

Em 22 de julho de 2022, em Istambul, a Rússia, a Ucrânia, a Turquia e a ONU chegaram a um "acordo de grãos", com o objetivo de garantir a exportação de produtos agrícolas ucranianos para os mercados mundiais, e para suspender as restrições à exportação de produtos agrícolas e fertilizantes russos, especialmente amônia, para os mercados mundiais.
Ao mesmo tempo, contrário aos termos do acordo, há problemas com seguros e a manutenção de navios, e também no setor bancário. Em junho de 2023 sabotadores ucranianos explodiram o duto de amonía Toliatti-Odessa na região de Carcóvia, por meio do qual a amônia era transportada para o porto ucraniano de Odessa, algo que deixa em aberto a extensão do acordo de grãos.
Recep Tayyip Erdogan (à esquerda) e Vladimir Putin (à direita), presidentes da Turquia e da Rússia, respetivamente, conversam à margem da 6ª cúpula da Conferência sobre Interação e Medidas de Fortalecimento da Confiança na Ásia (CICA, na sigla em inglês) no Palácio da Independência em Astana, Cazaquistão, 13 de outubro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 10.07.2023
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Khadzhimurad Belkharoev, professor associado do programa de Segurança Econômica Internacional do Instituto de Economia e Negócios Mundiais da Universidade da Amizade dos Povos da Rússia (RUDN, na sigla em russo), o acordo de grãos facilitou a exportação de uma parte significativa de grãos e outros alimentos do território da Ucrânia.
"No entanto, os alimentos que deveriam ser exportados para os países mais pobres foram fornecidos aos países ricos e autossuficientes: UE, Índia, China, Turquia, Irã, Egito e Coreia do Sul. Ao mesmo tempo, Espanha, Países Baixos e Itália compraram grãos para alimentar animais de estimação em escala industrial, já que são especializados na produção de carne e derivados, e os grãos da Ucrânia são vendidos a preços baixos", destacou o especialista.
Segundo ele, a extensão do acordo continua em questão, e depende da boa vontade da liderança da Rússia.
Já na opinião de Elmira Imamkulieva, professora sênior do Departamento de Estudos Regionais Estrangeiros da Faculdade de Economia Mundial e Política Mundial da Escola Superior de Economia da Universidade Nacional de Pesquisa russa, uma extensão do acordo por Moscou "acarreta cada vez mais riscos militares e políticos", e que "nossas condições não foram cumpridas".
Hasan Erel, especialista em política externa, vai mais longe e prevê que o incumprimento das queixas russas, particularmente no que toca às sanções e a recente assinatura turco-ucraniana de um acordo para a produção de uma fábrica de drones na Ucrânia, deve impedir a prorrogação do acordo.

Acordo de grãos deve ser prorrogado?

Khadzhimurad Belkharoev defende que o acordo de grãos deve ser renegociado, com a explicitação da implementação sincronizada de seus termos.
Grãos (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 12.07.2023
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"Ele deve consistir em uma única parte, que deve explicitar as condições para todas as partes dos participantes", sugeriu o acadêmico.
Ao mesmo tempo, ele referiu que se não for prorrogado, a falta de alimentos acelerará a inflação das moedas nacionais nos países pobres, agravará a situação sociopolítica e causará a migração em massa para países mais prósperos.
Imamkulieva adicionou que a não prorrogação do acordo de grãos acarreta riscos significativos para o mercado de alimentos, especialmente para os países em desenvolvimento, e diretamente para a economia ucraniana, que perderá uma renda significativa se a iniciativa for terminada.
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