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MRE do Brasil: mesmo com declaração com EUA, Brasília 'não tomou partido' no conflito Rússia-Ucrânia

© Folhapress / Gabriela BilóMinistro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieir, em Brasília
Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieir, em Brasília - Sputnik Brasil, 1920, 16.02.2023
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De acordo com chanceler, Brasil está aberto para ouvir o que Moscou tem a dizer, e se coloca "à disposição" para ajudar a mediar o conflito. Ao mesmo tempo, órgão sinaliza que viagem de Lula a Pequim será um "ato político", e que a expansão do BRICS é bem vista pelo governo.
Em entrevista ao colunista Jamil Chade do UOL, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou sobre diversos tópicos que estão na agenda da política externa brasileira.
Um dos pontos mais destacados foi a posição do Brasil diante do conflito entre Rússia e Ucrânia, principalmente após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos.
Segundo o chanceler, apesar de Brasília ter assinado uma nota conjunta com Washington condenando a operação russa, o governo brasileiro se pautou na orientação da própria Constituição brasileira – mas isso não quer dizer que o Brasil "tomou partido de forma nenhuma" por algum dos países.
Ainda de acordo com Vieira, Brasília quer "oferecer os nossos bons ofícios" para "tentar encontrar uma forma de negociar um cessar-fogo", com o intuito de trabalhar com outros países "para que haja condições de se fazer algum tipo de movimento que leve a um início de negociação" de paz.
Ao mesmo tempo, o chanceler comentou a viagem ao Brasil de seu homólogo russo, Sergei Lavrov, que acontecerá em abril.
O ministro fez questão de frisar que, da parte brasileira, há toda atenção para ouvir o que Moscou tem a dizer, e que o governo Lula coloca "seus bons ofícios à disposição" para tentar mediar, com outras nações, uma solução para o conflito.
"O recado vai ser este. De ouvir e ver o que eles têm a dizer e dizer, sobretudo, que o Brasil condenou por não poder deixar de condenar uma invasão […] também vamos dizer que estamos prontos para conversar e colocar à disposição os bons ofícios do Brasil, com outro grupo de países. Nenhum país pode isoladamente conseguir essa façanha. Vamos precisar de um grupo de países que possa promover um diálogo de boa vontade para que se chegue a algum tipo de entendimento", declarou.
Sobre esse tópico, Mauro Vieira complementou dizendo que a ideia do grupo de paz – que foi levada a Joe Biden, mas encontrou resistência – também será discutida na Conferência de Segurança em Munique que acontece nesta semana.
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Visita a Pequim

O chanceler falou brevemente sobre a visita de Lula à China no próximo mês, declarando que a ida do mandatário ao país asiático é "um sinal político a ser dado".
"Uma vista grande, como será, sempre há oportunidades e vamos examinar. Já estamos trabalhando internamente no Itamaraty e muitas coisas podem surgir. Uma parte importante vai ser o lado político da visita e o sinal político que será dado […] a China é um parceiro indispensável do Brasil. É o maior parceiro comercial e um grande parceiro em cooperação científica", afirmou.

BRICS

Já sobre o BRICS, o ministro esclareceu que, diante da tendência em ampliar o número de países no bloco, o Brasil não terá "nenhum obstáculo a isso", mesmo que seja a entrada de outra nação sul-americana, como a Argentina.
"O bloco já se expandiu. Já houve o acréscimo da África do Sul. Como é um clube de cinco países, acho que após consultas internas e um consenso, o Brasil não tem nenhum obstáculo nisso. Se houver consenso para uma expansão dentro do bloco, a Argentina é um candidato natural e seria um candidato natural do Brasil", explicou.
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OCDE

Mauro Vieira também explanou sobre o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A aceitação da organização para que Brasília inicie seu processo de entrada foi amplamente comemorada pelo governo Bolsonaro.
Segundo o chanceler, "o processo é longo", e que o ingresso no "Clube dos Ricos" – como é conhecida a instituição informalmente – "não é uma questão de ter pressa", mas sim "de adaptar a legislação".
"Não fazemos parte ainda. Fomos convidados a negociar o acesso. E isso é um processo longo […] não é uma questão de ter pressa. Tendo ou não tendo [pressa], você precisa adaptar sua legislação. Então, demora. Depois, precisam ser avaliadas as questões políticas. Temos de ver qual vai ser o balanço político no Congresso para aprovar tantas legislações."
Indagado se o Brasil realmente tem interesse em aderir ao organismo, Vieira respondeu que "tudo o que for do interesse nacional, sim. Se tivermos vantagens dessa adesão, sim".
Entretanto, apesar da declaração positiva do chanceler sobre a organização, na viagem de Lula aos EUA, o governo brasileiro vetou citar o apoio de Biden à entrada do Brasil na OCDE na nota conjunta entre os dois países à imprensa, conforme noticiado.
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