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Refinaria da Petrobras é vendida por preço 55% abaixo do valor de mercado, diz Ineep

© Folhapress / Luciano Claudino / Código 19Instalações da Refinaria de Paulínia (Replan), da Petrobras, em São Paulo, Brasil, 3 de maio de 2022 (imagem ilustrativa)
Instalações da Refinaria de Paulínia (Replan), da Petrobras, em São Paulo, Brasil, 3 de maio de 2022 (imagem ilustrativa) - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2022
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A gestão da Petrobras anunciou a venda da Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), no Ceará, por US$ 34 milhões (cerca de R$ 161,8 milhões). Em nota, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, prometeu contestar judicialmente a decisão, que considera "aviltante".
A FUP anunciou que estuda, ao lado do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), os critérios adotados na transação de venda da Lubnor à Grepar Participações. Segundo estudo do Ineep, o preço está 55% abaixo da estimativa de valor de mercado da refinaria.

"De acordo com os parâmetros utilizados, a refinaria localizada no Ceará está avaliada com um valor mínimo, pelas projeções cambiais mais elevadas deste ano, de US$ 62 milhões [cerca de R$ 323,6 milhões], quando o valor negociado pela estatal com o potencial comprador foi de US$ 34 milhões [cerca de R$ 161,8 milhões]", detalhou o Ineep em nota à imprensa.

A Lubnor é apontada como uma das líderes nacionais na produção de asfalto, além de ser a única produtora nacional de lubrificantes naftênicos de usos nobres, empregados na fabricação de transformadores, amortecedores e compressores, entre outros itens.
© AFP 2022 / NELSON ALMEIDARefinaria da Petrobras em Cubatão, São Paulo
Refinaria da Petrobras em Cubatão, São Paulo - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2022
Refinaria da Petrobras em Cubatão, São Paulo

"Uma decisão equivocada, com possíveis efeitos perversos para a economia e o emprego nordestinos", disse em nota à imprensa o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, sobre a venda da Lubnor. "Com política equivocada, e em conjuntura de escalada dos preços dos combustíveis, da inflação, e de ameaça de desabastecimento interno de derivados de petróleo, a Petrobras se desfaz de mais um ativo no refino", acrescentou.

Na mesma nota, o presidente da Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro), Mário Dal Zot, classifica a venda de "uma doação" e alerta para a criação de um "monopólio privado do mercado de asfalto da região Nordeste e Norte".

Outras refinarias vendidas também tiveram valor abaixo do mercado

A venda da refinaria segue o padrão dos últimos anos de privatização de ativos da estatal. A Petrobras afirma que pretende vender oito refinarias. A Lubnor é a terceira refinaria da empresa colocada à venda. As transações anteriores foram as da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, em novembro de 2021, e da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas, em agosto de 2021.
A Rlam foi vendida à Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos. A transação teve valor de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 8,57 bilhões). Já a Reman foi vendida por US$ 189,5 milhões (cerca de R$ 903,2 milhões) ao grupo Atem, mas a venda segue contestada judicialmente.
Segundo estimativa do Ineep, o valor das vendas estava 30% abaixo do mercado no caso da Rlam e 70% no caso da Reman.
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