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Economista: inflação no Brasil é complexa e não se resolve apenas com taxa SELIC

© Folhapress / Fatopress / Edu AndradeEm Brasília, uma imagem da fachada do Banco Central em 18 de janeiro de 2021
Em Brasília, uma imagem da fachada do Banco Central em 18 de janeiro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 07.12.2021
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A inflação no Brasil está em alta e a previsão do mercado é de que o índice chegue ao final do ano muito acima da meta do Banco Central. Para discutir o assunto, a Sputnik Brasil ouviu o economista João Branco, que explicou os principais aspectos do atual momento.
A estimativa mais recente do boletim Focus do Banco Central aponta uma expectativa maior do mercado financeiro em relação à inflação no país. Segundo o texto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve atingir 10,18% ao final do ano. A prévia do boletim avança há 35 semanas consecutivas.
A inflação em alta supera amplamente a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que aponta um patamar ideal em 3,75% para o ano, com tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o economista João Branco, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), explica que a situação inflacionária ainda pode piorar e que o cenário para o ano de 2022 segue em aberto.

"É possível que a gente também não tem ainda chegado ao fundo do poço, falando de inflação. Por que isso? Porque existem muitos fatores que determinam a inflação e que estão em aberto para o ano de 2022. A gente não sabe, por exemplo, como vai continuar se comportando o preço do petróleo no mercado internacional", explica o economista, que ressalta a importância do preço do petróleo para a inflação brasileira.

Branco aponta ainda a expectativa de que o ano de 2022 possa causar um descontrole nas contas públicas, outro fator de risco para a inflação.

"O ano de 2022 é um ano em que a gente vai ter eleição, é um ano em que muito provavelmente o governo não vai conseguir fazer grandes avanços no processo de controle das contas públicas. Então, se nós tivermos em 2022 um descontrole das contas públicas, isso também pode contribuir para jogar mais lenha ainda na fogueira da inflação", aponta.

© Foto / Tânia Rêgo/Agência BrasilSupermercado na zona sul do Rio de Janeiro
Supermercado na zona sul do Rio de Janeiro - Sputnik Brasil, 1920, 07.12.2021
Supermercado na zona sul do Rio de Janeiro
Essa não é a primeira vez que a inflação no Brasil ultrapassa os dois dígitos neste século, mas há algumas características específicas do momento. Segundo Branco, uma característica positiva é que não há represamento de preços, o que deve evitar repique na inflação. Ao mesmo tempo, o economista aponta que há uma alta generalizada sobre o custo de bens de consumo que fazem parte do IPCA. É o caso do preço dos alimentos, tema de reclamações recorrentes entre os brasileiros.

"Quando você começa a ter uma inflação que já contaminou praticamente todos os produtos, não adianta muito substituir o peixe com batata por carne com arroz, porque todos os itens subiram", pondera o economista.

Branco explica ainda que todas essas características mostram que as causas da inflação são complexas e por isso demandam ações "igualmente sofisticadas", que ultrapassam apenas o controle da taxa SELIC. Hoje em 7,75%, a taxa básica de juros vem sendo elevada para tentar controlar a inflação. A expectativa é de que um novo aumento seja anunciado pelo governo na quarta-feira (8).
"Uma crítica muito comum ao atual governo é o fato de ele ter uma visão muito monetarista do processo inflacionário. O que é uma visão muito monetarista? É achar sempre que a inflação está aumentando por causa de demanda, porque houve excesso de liquidez na economia. E aí a saída para isso é, evidentemente, você aumentar o juro. Mas isso é só uma parte do problema", aponta o economista, que defende que ações sobre a oferta também devem existir.
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