Membros da comitiva de uma delegação em frente da sede das Nações Unidas durante a 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York, 21 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
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'Cobrança' de ministro brasileiro na COP26 aos países ricos faz sentido?

© REUTERS / Yves HermanSir David Attenborough discursa na cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26) em Glasgow, Escócia, Grã-Bretanha, 1 de novembro de 2021
Sir David Attenborough discursa na cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26) em Glasgow, Escócia, Grã-Bretanha, 1 de novembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 13.11.2021
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A Sputnik Brasil conversou com Nadja Heiderich, professora da Faculdade de Economia da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) e especialista em Economia Ambiental para saber um pouco mais sobre as políticas ambientais discutidas na COP26.
Na terça-feira (9), o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, afirmou em Glasgow, na Escócia, que a proposta dos países ricos fornecerem uma ajuda de US$ 100 bilhões (R$ 545 bilhões) anuais aos países em desenvolvimento para financiar ações de enfrentamento das mudanças climáticas se tornou insuficiente.
Os delegados sentam-se durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26) em Glasgow, Escócia, Grã-Bretanha, 1 de novembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 03.11.2021
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Para a professora Nadja Heiderich, a declaração do ministro faz sentido, porque a ajuda financeira foi estabelecida no Acordo de Paris em 2015, para ser iniciada em 2020, contudo até o momento, nenhum recurso chegou ao Brasil e, por isso, este valor deveria ser maior, visto que já se passaram quase dois anos da data determinada.
Além disso, a professora ressalta que as metas definidas não estão sendo alcançadas, e neste caso, é preciso "aumentar a meta em um tempo mais curto, o que vai gerar impactos mais drásticos, quando será preciso de fato realizar estes objetivos".

Como os países ricos podem ajudar os emergentes na questão ambiental?

Nadja Heiderich acredita que os países desenvolvidos poderiam ter projetos com os países em desenvolvimento com um maior foco em mitigar os problemas, que são sociais nestes países, mas que também geram impacto ambiental, como por exemplo, o saneamento básico.
"Eu acredito em projetos voltados para isso, para mudanças de matrizes energéticas. No caso do Brasil, nossa matriz energética é uma das mais limpas do mundo, já que usamos mais energia hidroelétrica. Também estamos com um mercado potencial de energia eólica e energia solar [...]", explicou.
A professora ressalta que o mercado de energia limpa pode ser proveitoso para os países desenvolvidos e outros explorarem, não apenas no Brasil.
"Projetos nesse sentido talvez tenham até efeitos mais rápidos, e tragam, além da qualidade ambiental, a qualidade de vida para a população, já que há uma pressão para a adoção de medidas mais efetivas em termos de proteção ambiental que sejam também medidas que tragam qualidade de vida à população", declarou.

Acordo de Paris

Sobre o Acordo de Paris, a professora afirmou que o acordo permanece atual e relevante, já que as metas que foram estabelecidas, como, por exemplo, o repasse de recursos dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento, não foram realizadas, fazendo com que o assunto voltasse à "estaca zero".
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"De fato, é preciso colocar na mesa soluções práticas e não promessas apenas, que com o passar dos anos não se concretizam", enfatizou.

Brasil no caminho da economia verde

Para a professora, o Brasil é um local repleto de potencialidades a serem exploradas e, atualmente, há diversos projetos relacionados à energia solar, que é um mercado potencial para o Brasil e pode gerar muito emprego e renda aos brasileiros.
"No meu ponto de vista, ainda é introdutório, mas estamos caminhando para isso, e eu vejo com bons olhos, estamos caminhando para uma economia mais verde", afirmou.

Conversas da COP26

Com relação às conversas da COP26, Nadja Heiderich explica que os países desenvolvidos fazem promessas, contudo é preciso mais do que isso, como medidas efetivamente práticas e planos de ação concretos.
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"Eu tenho visto com maus olhos o que está acontecendo, por exemplo, com a China, que não entrou no acordo para a redução do metano. [O país] é um dos mais poluidores em termos de metano do mundo, e está adotando uma política de plano nacional", observou. A especialista acredita que, ao não firmar um acordo internacional, isso pode inviabilizar ações conjuntas.

Desmatamento na Amazônia e economia

A professora observa que o tema do desmatamento na Amazônia é delicado e complexo, já que se trata de uma região extremamente rica em recursos naturais, contudo, ao mesmo tempo, há uma população em que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um dos mais baixos do Brasil, sendo uma população de extrema pobreza, sem acesso aos recursos e tecnologias.
"Acredito que ações voltadas para o uso e o manejo sustentável da floresta seja o ideal. E que essa população possa explorar os recursos naturais, mas sem causar o desmatamento, a degradação ambiental, e elevando dessa forma alguma qualidade de vida dessas pessoas", explicou.
"Para essa região, que é tão rica em ativos ambientais e em recursos naturais, somente a economia verde pode trazer prosperidade à região e, ao mesmo tempo, a preservação da floresta", enfatizou.

Considerações finais sobre a COP26

A professora Nadja Heiderich acredita que o esforço mundial para a redução das emissões é genuíno e relevante.
Contudo, a especialista ressalta que não se deve deixar de considerar o papel de todas regiões do mundo, incluindo dos países desenvolvidos, não havendo uma cobrança desproporcional dos países em desenvolvimento.
"Não podemos deixar de considerar os países em desenvolvimento e os países pobres, porque eles não têm acesso ainda à tecnologia mais limpa (com exceção ao Brasil, que é um país em desenvolvimento, mas que sua matriz energética está voltada para energias mais limpas em sua maior parte) para que eles tenham consciência de mudar sua matriz energética, reduzir o uso de carvão mineral e combustíveis fósseis", acrescentou.
A especialista também ressaltou que a cobrança excessiva destes países, bem como o bloqueio de recursos e projetos, gera um impacto no crescimento dos países em desenvolvimento.
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