AUKUS vai 'ajudar Austrália a conter' a China e poderá afetar laços entre Rússia e UE, diz Lavrov

© REUTERS / Ministério das Relações Exteriores da Rússia / HandoutSergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, participa de reunião com seu homólogo grego Nikos Dendias em Sochi, Rússia, 24 de maio de 2021
Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, participa de reunião com seu homólogo grego Nikos Dendias em Sochi, Rússia, 24 de maio de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 25.09.2021
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O novo acordo entre a Austrália, o Reino Unido e os EUA, apelidado de AUKUS, foi criado no início deste mês, levantando preocupações relativas ao campo da Segurança vindas da China e da UE.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou neste sábado (25) que o pacto de segurança AUKUS pode afetar os laços entre Moscou e Bruxelas.
Em uma entrevista coletiva no decorrer da Assembleia Geral da ONU em Nova York, nos EUA, o diplomata russo disse reconhecer que "o objetivo [do AUKUS] é também ajudar a Austrália a conter a 'ameaça chinesa'".
Lavrov, no entanto, afirmou que "não estamos [Rússia] planejando interferir nestas questões, mas é claro que podemos sentir as consequências do que está acontecendo [...] Isto pode afetar nossas relações com a União Europeia, pode despertar o interesse da UE em finalmente cooperar conosco, usando as vantagens geopolíticas e geoestratégicas óbvias de estar em um continente enorme - especialmente agora que o centro do desenvolvimento global está se deslocando para a região asiática", observou o diplomata russo.
A criação do pacto trilateral em causa foi anunciada formalmente pelo presidente norte-americano, Joe Biden, em 15 de setembro de 2021. 
Esta parceria permitirá que Camberra construa uma nova frota de submarinos movidos a energia nuclear nos estaleiros australianos, utilizando tecnologias norte-americanas e britânicas. Porém, tal acordo já resultou em tensões entre Camberra e Paris, pois a Austrália acabou cancelando seu negócio multimilionário de submarinos com a França.
"Quanto ao acordo entre a Austrália, os EUA e o Reino Unido sobre os submarinos: em geral, este evento, que ocorreu imediatamente após a retirada do Afeganistão, inevitavelmente levanta questões daqueles que fazem parte dessas alianças [ocidentais]. A França, além de ser ofendida do ponto de vista comercial, provavelmente está questionando a confiabilidade dessas alianças - e [consideremos que as] conversas sobre a autonomia estratégica da Europa se estão tornando muito mais relevantes agora", acrescentou Lavrov.
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