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'Muito otimistas': inteligência da Dinamarca admite que não previu queda de Cabul em 2021

© REUTERSMembros do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) observam foto de seu líder Mullah Haibatullah Akhundzada, em Cabul, Afeganistão, 25 de agosto de 2021
Membros do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) observam foto de seu líder Mullah Haibatullah Akhundzada, em Cabul, Afeganistão, 25 de agosto de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 26.08.2021
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Serviços de inteligência e acadêmicos da Dinamarca reconheceram que foram cometidos erros de previsão sobre a rapidez com que o Talibã tomaria o Afeganistão.

O Serviço de Inteligência de Defesa Dinamarquês (FE, na sigla em dinamarquês) admitiu que não previu a queda de Cabul para o Talibã (organização terrorista, proibida na Rússia e em vários outros países) em 2021.

"Houve desafios especiais em termos da situação no Afeganistão porque o acesso à informação foi enfraquecido como resultado da retirada da coalizão [da OTAN]. Estas condições, entretanto, não mudam o fato de que devemos aprender com os desenvolvimentos. Não foi por si uma surpresa que Cabul tenha caído, mas sim a velocidade com que ocorreu, que é algo que não considerávamos provável", disse Svend Larsen, diretor interino da FE, em declaração.

"Baseamos nossas avaliações na inteligência que tínhamos à nossa disposição a partir de nossas próprias fontes e de parceiros internacionais, mas nossas estimativas se mostraram muito otimistas", acrescentou ele.

Em um briefing ao Parlamento dinamarquês em 9 de agosto, o FE declarou que era relativamente improvável que Cabul caísse em 2021. No entanto, a capital afegã foi capturada pelo Talibã em 15 de agosto, menos de uma semana depois. O FE se comprometeu a usar a experiência obtida no Afeganistão para melhorar o seu funcionamento interno.

"Já aconteceu antes, mas é naturalmente incomum e raro que erros sejam cometidos desta forma, e também é raro que a FE saia e o admita", disse Flemming Splidsboel Hansen, pesquisador sênior do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, à Rádio Dinamarquesa.

O jornal Berlingske fez em junho uma reportagem semanal, segundo a qual o comandante das forças dinamarquesas no Afeganistão descreveu a situação no país como "preocupante", que o Exército afegão era desafiado pelo Talibã, e que o moral dos militares afegãos estava "em declínio" e "atingindo um nível crítico".

No entanto, tanto o Ministério da Defesa quanto o Ministério das Relações Exteriores negaram ter recebido o relatório, o que surpreendeu muito Martin Marcussen, professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Copenhague, Dinamarca, que acreditava que isso era implausível.

Segundo dois dos partidos de coalizão do governo, o Partido Socialista do Povo e o Partido Social Liberal, a avaliação falha pode ter custado vidas, levando a uma evacuação tardia de Cabul.

"Quando recebemos relatórios de inteligência que estão tão errados, também recebemos evacuação tardia. Isto significa que as pessoas que temos que evacuar estão em uma situação muito mais perigosa do que se tivessem sido retiradas antecipadamente. Pode potencialmente custar vidas humanas em uma situação tão perigosa", comentou Anne Valentina Berthelsen, porta-voz do Partido Popular Socialista para assuntos de Defesa, à Rádio Dinamarquesa.

Ela acrescentou que seu partido estava convencido de que Cabul cairia muito rapidamente, instando o governo a fazer com que a embaixada fosse fechada, e que os funcionários fossem evacuados adequadamente.

"Nós levamos isso muito a sério. Pode ter custado vidas humanas começar tão tarde", concordou Martin Lidegaard, porta-voz do Partido Social Liberal.

A participação dinamarquesa da guerra no Afeganistão começou em 2001, com militares destacados desde 2002. No total, a missão do país europeu custou milhões de coroas, sofrendo 43 mortes e mais de 210 feridos.

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