Cientistas revelam como comunidades da Ilha de Páscoa podem ajudar os primeiros habitantes em Marte

© Sputnik / A. Karmen / Abrir o banco de imagensEm vez de construir barcos, os habitantes da ilha de Páscoa usavam muita madeira para transportar estátuas moais, privando a eles próprios dos produtos do mar e sem poderem deixar a ilha
Em vez de construir barcos, os habitantes da ilha de Páscoa usavam muita madeira para transportar estátuas moais, privando a eles próprios dos produtos do mar e sem poderem deixar a ilha - Sputnik Brasil, 1920, 14.05.2021
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Os cientistas estadunidenses Carl Lipo e Robert DiNapoli, da Universidade de Binghamton, estudaram a vida em isolamento dos habitantes da Ilha de Páscoa de modo a analisar que possíveis desafios poderiam os primeiros colonos de Marte enfrentar.

Com seu estudo publicado na revista PLOS One, os dois pesquisadores, em conjunto com seus colegas Mark Madsen, do Departamento de Antropologia da Universidade de Washington, e Terry Hunt, da Faculdade Honors e da Escola de Antropologia da Universidade do Arizona, explicam como as complexas estruturas comunitárias de Rapa Nui – nome local atribuído à Ilha de Páscoa – conseguiram sobreviver na ilha do século XII ao XIII, até o primeiro contato com os europeus em 1877.

Após esse ano, seguiu-se a exterminação de quase toda população e de sua cultura, sobrando pouco mais de 111 indivíduos indígenas, segundo um comunicado da Universidade de Binghamton.

Apesar do seu pequeno tamanho, de apenas 164 quilômetros quadrados, ao longo do tempo, a ilha foi habitada por vários clãs de pequenas comunidades que se distinguiam tanto a nível cultural como físico, mesmo que a distância entre si fosse de ínfimos 500 metros.

Análises de DNA e de isótopos de restos mortais desses habitantes, assim como variações esqueléticas entre as comunidades, demonstraram que os habitantes não se afastavam muito, ou se casavam fora de seus grupos, evitando, deste modo, determinadas alterações fruto da chamada deriva genética. No entanto, no caso da ilha em causa, não se tratava de mudanças genéticas, mas sim culturais.

Uma das principais tarefas de uma população humana pequena e isolada era a difusão, com sucesso, de seus conhecimentos e habilidades importantes. Se o portador dessas habilidades morresse repentinamente, sem passá-las para a próxima geração, a última enfrentaria sérios problemas, levando ao eventual desaparecimento de toda a população.

Sabendo disto, Lipo e DiNapoli concluíram que quanto maior o número de subgrupos com interação limitada, maior a probabilidade de uma população reter informações potencialmente benéficas, um fator que poderia ser importante para mudanças históricas da humanidade no geral.

Com tais informações, os cientistas acreditam que os futuros colonos de Marte possam conseguir sobreviver no planeta convertendo-se "em uma Ilha de Páscoa isolada no meio do espaço", disse Lipo.

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