Analistas explicam como China poderá retaliar EUA e seus aliados caso seja provocada

© AP Photo / Agência de Notícias Xinhua / Li XuerenPresidente da China, Xi Jinping
Presidente da China, Xi Jinping - Sputnik Brasil, 1920, 20.02.2021
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A China deverá se manter vigilante na região do Indo-Pacífico e marcar suas linhas vermelhas, segundo disseram especialistas chineses na quinta-feira (18), antes da terceira reunião do grupo Quad, que inclui os EUA, Japão, Índia e Austrália, desde 2020.

Esta será a primeira reunião virtual entre os quatro Estados sob a administração Biden.

Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, anunciou na quarta-feira (17) que o secretário de Estado americano, Anthony Blinken, falaria com seus homólogos australiano, japonês e indiano no quadro do Quad, também conhecido como a versão indo-pacífica da OTAN e visto como resultado do esforço conjunto dos EUA e do Japão em conterem a China, reporta o Global Times.

"O Quad é a peça central da chamada Estratégia do Indo-Pacífico, e este quadro terá um papel mais importante nos esforços da administração Biden para contenção da China", contou Ni Feng, vice-diretor do Instituto de Estudos Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, à mídia na quinta-feira (18).

Ruan Zongze, vice-presidente executivo do Instituto de Estudos Internacionais da China, disse ao Global Times que Joe Biden, que também está familiarizado com a política de "reequilibrar a Ásia" da era de Barack Obama, é bom em utilizar com seus aliados uma variedade de mecanismos para conter o desenvolvimento pacífico da China.

Segundo Ruan, Biden espera enveredar pelo multilateralismo, usando o Quad como veículo diplomático para fazer avançar os interesses dos EUA na região da Ásia-Pacífico e declarar que "o Capitão América está de volta".

Apesar de a estratégia relativa à China não seja o único tema a ser abordado na reunião do Quad, o gigante asiático deveria se preocupar com a possibilidade de os EUA quererem tornar o Quad em um completo clube anti-China e reagir a palavras e atos que possam prejudicar a China, avisa Ruan Zongze.

CC BY-SA 2.0 / COMSEVENTHFLT / Marinheiros americanos designados para o destróier de classe Arleigh Burke, USS John S. McCain, abaixam o mastro enquanto o navio se dirige para uma patrulha de rotina na região Indo-Ásia-Pacífico
Analistas explicam como China poderá retaliar EUA e seus aliados caso seja provocada - Sputnik Brasil, 1920, 20.02.2021
Marinheiros americanos designados para o destróier de classe Arleigh Burke, USS John S. McCain, abaixam o mastro enquanto o navio se dirige para uma patrulha de rotina na região Indo-Ásia-Pacífico

Por enquanto, alguns analistas preveem que o Quad possa vir a ser mais um obstáculo à integração de uma nova ordem asiática liderada pela China, tendo em conta os laços econômicos entre a China e o Indo-Pacífico.

Para além disso, a China ultrapassou os EUA enquanto maior parceiro econômico da União Europeia (UE) em 2020. Com o Acordo Abrangente de Investimento UE–China (CAI, na sigla em inglês) fazendo progressos, enquanto o comércio transatlântico permanece incerto, vários especialistas acreditam que as relações entre a China e os membros da UE possam se fortalecer mais em 2021.

Por outro lado, o Japão se manteve por quatros anos consecutivos como o segundo maior parceiro econômico da China, sendo este país, por sua vez, o maior parceiro comercial do Japão em 12 anos seguidos, segundo um relatório de investimento oficial emitido pelo Conselho de Promoção do Comércio Internacional da China em 2020, refere o artigo.

Já com o seu grande vizinho, a Índia, a China continua a ser seu maior importador e o terceiro país a exportar mais para a maior democracia asiática, de acordo com o Ministério do Comércio chinês.

© AFP 2022 / LUKAS COCHPremiê australiano, Tony Abbott, e ministro do Comércio chinês, Gao Hucheng, assinam o tratado de livre-comércio
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Premiê australiano, Tony Abbott, e ministro do Comércio chinês, Gao Hucheng, assinam o tratado de livre-comércio

Alguns analistas afirmam que os vários truques geopolíticos pouco deverão afetar os laços regionais da Ásia com a China, pois não é apenas na cultura que está centrado esse ecossistema, mas também na economia.

"Os membros do Quad têm interesses nacionais diferentes. Quando os EUA os obrigam a escolher um dos lados, eles também planejam empurrar os EUA para o campo de batalha", disse Ni Feng, citado pelo Global Times.

Ni conclui que a China terá de utilizar na totalidade seus trunfos econômicos para contrariar possíveis provocações, sendo que um dos membros do Quad, a Austrália, já entendeu o que significa se tornar um pioneiro anti-China.

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