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Governo de São Paulo volta atrás e inclui quilombolas em prioridade de vacinação

© AP Photo / Silvia IzquierdoNo Rio de Janeiro, duas quilombolas costuram máscaras de proteção contra a COVID-19 no quilombo Maria Joaquina, em Cabo Frio, em 12 de julho de 2020
No Rio de Janeiro, duas quilombolas costuram máscaras de proteção contra a COVID-19 no quilombo Maria Joaquina, em Cabo Frio, em 12 de julho de 2020 - Sputnik Brasil
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Nesta terça-feira (19), o governo do estado de São Paulo decidiu incluir novamente os quilombolas no grupo prioritário de vacinação contra a COVID-19.

Mais cedo, nesta terça-feira (19), o governo paulista havia retirado os quilombolas, grupos remanescentes de quilombos, do grupo de prioridade na campanha de vacinação contra a COVID-19. Após a informação ser veiculada na imprensa, o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), foi às redes sociais para dizer que o grupo voltaria a ser priorizado na imunização contra o novo coronavírus. Segundo Doria, a retirada dos quilombolas foi uma iniciativa do Ministério da Saúde que seu governo não seguirá.

​Conforme publicou o portal G1, anteriormente a secretaria de Saúde do estado de São Paulo havia afirmado que os quilombolas foram retirados do grupo prioritário da campanha de vacinação devido a uma determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ainda segundo o portal, a agência negou que não tenha autorizado o uso emergencial da vacina junto aos quilombolas.

© Folhapress / Aloisio Mauricio / FotoarenaMônica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, é a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil
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Mônica Calazans, enfermeira de 54 anos do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, é a primeira vacinada contra a COVID-19 no Brasil

Em todo o estado de São Paulo há 51 comunidades que são oficialmente reconhecidas como remanescentes de quilombos. Historicamente, as campanhas de vacinação no Brasil priorizam tanto os quilombolas quantos os indígenas, uma vez que os indicadores de saúde costumam ser piores nessas populações, que têm maior dificuldade de acesso ao sistema de saúde.

Apesar de não haver dados oficiais sobre a incidência da COVID-19 entre os quilombolas, as organizações populares desses grupos registram que a doença chegou a essas populações e que a mortalidade é mais alta entre os remanescentes de quilombos, assim como entre os indígenas.

© AP Photo / Silvia IzquierdoEm Búzios, no Rio de Janeiro, Eva Maria de Jesus, a "vó Eva", de 110 anos, olha pela janela de sua casa no quilombo Rasa, em 12 de julho de 2020
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Em Búzios, no Rio de Janeiro, Eva Maria de Jesus, a "vó Eva", de 110 anos, olha pela janela de sua casa no quilombo Rasa, em 12 de julho de 2020

Segundo a mais recente publicação do boletim epidemiológico da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), pelo menos 179 quilombolas já morreram vítimas da COVID-19. A CONAQ também registra 4.750 casos confirmados da doença entre as comunidades remanescentes de quilombos.

​​No domingo (17), a Anvisa autorizou o uso das vacinas CoronaVac e Covishield para uso emergencial no Brasil. No mesmo dia, o estado de São Paulo deu início à vacinação. Os primeiros vacinados foram enfermeiras e enfermeiros negros e indígenas, o que se repetiu no dia seguinte em outros estados, incluindo cidadãos idosos.

No total, seis milhões de doses da CoronaVac estão sendo distribuídas pelo Ministério da Saúde para as unidades federativas. A vacina é fruto de uma parceria entre o Instituto Butantan, com sede em São Paulo, e a farmacêutica chinesa Sinovac.

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