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Dia Mundial da Alimentação: Lula diz que 'agro pode ser pop', mas não resolve fome (VÍDEO)

© AP Photo / Andrew MedichiniEx-presidente Luiz Inácio Lula participa de encontro com sindicatos em Roma, na Itália, em fevereiro de 2020
Ex-presidente Luiz Inácio Lula participa de encontro com sindicatos em Roma, na Itália, em fevereiro de 2020 - Sputnik Brasil
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O ex-presidente Lula disse nesta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação, que o Brasil "não tem o que festejar", pois o "terrível fantasma da fome" está "rondando" os lares de milhões de brasileiros.

Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que era preciso comemorar o Nobel da Paz concedido ao Programa Mundial de Alimentos (PMA). Por outro lado, afirmou que a situação no Brasil, com a pandemia e o aumento do preço dos alimentos, era grave. 

O petista ressaltou ainda que, em 2014, o Brasil foi declarado oficialmente fora do Mapa da Fome da ONU, mas, desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o país "deu marcha à ré". 

"Seis anos atrás, o Brasil conquistava o respeito e admiração mundial ao ser declarado fora do Mapa da Fome da ONU. Depois do golpe contra a presidenta Dilma, o país deu marcha à ré. Os golpistas mergulharam nosso país num poço sem fundo", disse Luiz Inácio Lula da Silva. 

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados em setembro, mais de um terço da população brasileira apresentou algum grau de insegurança alimentar no biênio 2017-2018, maior índice registrado desde 2004, quando o levantamento foi feito pela primeira vez.

De acordo com análise de especialistas, os números significam que o Brasil retornou em 2018 ao Mapa da Fome - lista de países com mais de 5% da população ingerindo menos calorias do que o recomendável. 

'Não resolve problema da fome'

Além disso, Lula citou campanha veiculada na Rede Globo de valorização da indústria do agronegócio no Brasil, que diz "agro é tech, agro é pop, agro é tudo". 

"O agro pode ser 'pop', como dizem os caríssimos anúncios na televisão, mas não resolve o problema da fome. Repito: mais de 10.000.000 de brasileiros não têm o que comer. E isso sem falar nos 74.000.000 que estão, segundo os técnicos, em 'situação de insegurança alimentar média ou leve'. Na mesa do pobre, porém, a fome não tem nada de média ou leve", disse o ex-presidente. 

Lula criticou a política de "desmonte do Estado" do governo do presidente Jair Bolsonaro, assim como diminuição do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300. Segundo o petista, "é imperioso continuar" com o benefício "enquanto durar a pandemia". 

"Bolsonaro disparou um tiro de misericórdia contra os pobres e reduziu pela metade o valor do auxílio emergencial, de R$ 600 para R$ 300, além de excluir um grande número de beneficiários do programa", disse o ex-presidente. 

Ato nacional contra a fome

Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, organizações da sociedade civil, com apoio da campanha #600atédezembro, promovem nesta sexta-feira (16) o Ato Nacional Contra a Fome, em vários pontos do país. Durante a ação será lançado o Manifesto Popular Contra a Fome e Pelo Direito de Se Alimentar, que entre seus pontos inclui a defesa da manutenção do auxílio de R$ 600 até dezembro. 

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