05:52 25 Outubro 2020
Ouvir Rádio
    Economia
    URL curta
    2143
    Nos siga no

    O fim do auxílio emergencial em dezembro deve deixar cerca de 38 milhões de brasileiros sem assistência, segundo estima estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

    O número corresponde às pessoas que receberam a primeira parcela, mas que não estão inscritas no CadÚnico (Cadastro Único) e, sendo assim, não vão receber o Bolsa Família depois do fim do benefício emergencial.

    As informações foram divulgadas pela Folha de S. Paulo nesta terça-feira (6).

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o economista José Carlos de Assis, professor aposentado de Economia Política e de Relações Internacionais da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba), disse que a decisão de diminuir o número de beneficiários do auxílio emergencial gera um impacto emocional, pessoal e material nas pessoas que deixaram de receber o benefício.

    "O impacto pessoal é terrível porque as pessoas se sentem desamparadas. O aspecto material é fundamental também porque as pessoas perdem acesso à comida. Isso do ponto de vista emocional também é muito ruim porque as pessoas perdem equilíbrio mental", afirmou.

    Segundo José Carlos de Assis, o fim do benefício do auxílio emergencial para 38 milhões pode levar ao aumento dos casos de COVID-19 no Brasil.

    "Desse jeito nós podemos esperar situações gravíssimas que é a própria volta em larga escala da COVID-19. As pessoas, se não tiverem o mínimo para se sustentar materialmente, vão buscar meios de sobrevivência fora de casa, vão se expor e expor os outros. É esse o processo que infelizmente vai acontecer", declarou.

    A decisão de Bolsonaro de reduzir o auxílio emergencial para R$ 300 foi classificada por José Carlos de Assis como uma "estupidez".

    "Do ponto de vista econômico essa decisão do governo é uma estupidez, R$ 600 já era pouco, R$ 300 é uma insignificância", afirmou.

    Para o economista, o governo federal deveria investir em subsídios para pequenas e médias empresas para aquecer a economia.

    "Onde o governo erra estupidamente é quando ele não investe em produção, simultaneamente na demanda. Porque obviamente vai haver um descompasso entre produção e demanda. Tinha que ter dado condições de produção e condições de oferta ao conjunto das empresas, sobretudo médias e pequenas, que estão quebrando", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Após queda recorde do PIB, Bolsonaro anuncia auxílio emergencial de R$ 300 até o fim do ano
    Após erro do governo, quase 1 milhão fica sem auxílio emergencial ou Bolsa Família, diz mídia
    Entre brasileiros mais pobres, auxílio emergencial fez renda subir 132%
    Cerca de 5,7 milhões de brasileiros vão deixar de receber parcelas de R$ 300 do auxílio emergencial
    Tags:
    Fundação Getúlio Vargas, inflação, pobreza, economia, auxílio estatal, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar